A Família Savage


Tamara Jenkins, roteirista e diretora de A Família Savage é claramente uma pessoa inteligente: neste filme, ela conta o drama de dois irmãos que são obrigados a cuidar do pai ausente de suas vidas, depois que a mulher dele morre. Os dois irmãos, interpretados por Phillip Seymour Hoffman e Laura Linney trabalham com teatro, e claramente buscam na arte a escape para sua frustração com a vida familiar.

É sempre um prazer assistir um filme com diálogos tão inteligentes e divertidos, e A Família Savage está repleto deles. Desde a maneira sutil como a garota polonesa descreve um personagem dizendo que "ele não quer se casar, mas chora sempre que eu frito ovos", até a inusitada conversa num quarto de motel entre um casal que discute sua vida como clichês dramáticos. Além disso, A Família Savage também surpreende ao se mostrar um drama melancólico sobre a velhice (ou a constatação de que os personagens já estão bem longe de suas juventudes), e o melhor exemplo disso é a briga entre os irmãos, na qual um deles discute de maneira sincera sobre o que ele pensa de asilos, perto do próprio pai.

Aliás, a relação dos personagens com o pai é feita com sensibilidade pela diretora, deixando que os olhares digam muito mais do que os diálogos: é claro que os filhos sofreram a vida toda pela ausência do pai, mas em nenhum momento eles parecem querer descontar isso no pai de alguma forma, enquanto o pai utiliza um triste silêncio para mostrar seu desconforto, e a cena em que Linney leva seu pai para o banheiro de um avião (lembrando uma criança aprendendo a andar) é poética e eficaz nesse sentido.

E se notaram, citei a palavra "inteligente" bastante no texto, e tenho um motivo para isso: logo no final, o filme se sabota ao explicar a lógica de Brecht ao espectador, quando tudo aquilo já estava claro, soando como uma cena metalinguistica e desnecessária, enfraquecendo bastante o final do filme, emocionalmente. O cérebro, porém, agradece.

NOTA: 8,5

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