Delírios


Delírios parte de um princípio interessante, comparando a relação ambígua entre paparazzis e celebridades com as relações humanas convencionais, na qual um depende do outro, por mais que não admita, e não é a toa que seus personagens parecem todos desesperados para estabalecerem relações com seus próximos, por menos que ela seja.

Protagonizado pelo sempre interessante Steve Buscemi, como o papparazzi que não se considera um deles, e Michael Pitt como uma versão de Cândido de Voltaire, se ele quisesse ser ator, o filme tem um ritmo interessante, e por mais que os diálogos as vezes se revelem óbvios, as interpretações acabam salvando isso. Porém, há uma reviravolta no início do terceiro ato que não só surge como uma alegoria boba como... incrivelmente imbecil, desperdiçando todo o potencial do elenco e da boa construção das situações. E se é interessante que o filme dedique um bom tempo em tela para a personagem de Alison Lohman (linda como sempre), é decepcionante que a sub-trama envolvendo a moça seja justamente o alicerce da imbecilidade em que o filme cai.

Escrito e dirigido por Tom DiCillo (de Johnny Suede... ... ...), Delírios até vale uma conferida, afinal rende divertidas risadas e há resquícios suficientes de inteligência em sua narrativa. Mas não se culpe se ficar com vontade de xingar o dono da locadora e até de mim por causa do final...

NOTA: 7

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