Besouro


Besouro deve ser a produção nacional mais importante dos últimos tempos. Explico: qual foi a última vez que você viu um filme brasileiro que misturava uma história de época, com toques claros de um filme de super herói? Exato... nunca né? Pois Besouro faz isso, e com louvor. Escrito e dirigido por João Daniel Tikhomiroff, o filme não é perfeito, mas é certamente a obra mais original e bem produzida no país em muito tempo.

Como sou absolutamente ignorante no que diz respeito a cultura mostrada no filme (do Candomblé, por exemplo), posso dizer que fiquei surpreso com a riqueza da cultura, que prega uma forte ligação entre as pessoas com a natureza, e as cenas que mostram Besouro se preprando na floresta são extraordinárias nesse sentido. Além disso, fiquei mais do que surpreso com o fato de que o Exu seja de tanta importância na história, e como pela sua moral mais do que dúbia é um dos destaques.

O roteiro se revela muito mais inteligente do que pode parecer, e particularmente gostei muito de como o filme retrata o Coronel da região, que mesmo sendo o grande vilão da história, consegue mostrar dignidade e respeito ao povo ao redor graças ao seu perverso carisma. Por outro lado, é uma pena que ao longo do filme, a história use um triângulo amoroso desnecessário como "muleta", e que a participação dos seres da natureza e do Mestre Alíbio se tornem praticamente coadjuvantes.

Contando com um desfecho corajoso e inteligente, Besouro pode não ser o melhor filme nacional dos últimos tempos, mas é incontestavelmente um gigante passo a frente no cinema brasileiro que já deviaestar produzindo filmes com muito maior diversidade e criatividade. E nesse sentido, Besouro é uma voadora no cinema nacional. E nesse caso... literalmente.

NOTA: 8,5

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