Bastardos Inglórios


Bastardos Inglórios não chega aos pés de Cães de Aluguel ou Pulp Fiction, as obras-primas de Quentin Tarantino, mas representa uma melhora significativa depois do chato Jackie Brown e os bonzinhos Kill Bill 1 e 2 (ainda não vi À Prova de Morte). O estilo inconfundível do diretor funciona de maneira surpreendente no filme, que é provavelmente o mais divertido que Tarantino já realizou.

O único defeito de Bastardos Inglórios está no roteiro e na montagem, que arrastam algumas cenas de maneira desnecessária, ou apresentam cenas que simplesmente poderiam ser cortadas: a cena do bar no porão, por exemplo, é claro que é uma boa cena (principalmente pelo desfecho) mas os diálogos são tão longos e arrastados no início que confesso que até bocejei; enquanto isso, a cena de Mike Myers não apresenta nada significativo a trama, e parece estar ali só para mostrar que Tarantino conhece o cinema alemão dos anos 20. Troféu joinha.

Felizmente, o diretor criou personagens fascinantes, a começar por Aldo Raine, interpretado de maneira divertidíssima por Brad Pitt, e só a cena em que o ator fala em italiano vale o ingresso. Christoph Waltz tem o melhor personagem do filme, o "Caçados de Judeus" que além da inteligência e sagacidade que o roteiro lhe proporciona, ganha um charme curioso na inspirada interpretação de Waltz. E se Daniel Brühl surpreende até o último segundo em tela, Mélanie Laurent faz de Shosanna a figura mais trágica de todo o filme.

Mas apesar de ser mais longo que o ideal, o clímax de Bastardos Inglórios é tão bem construído e tem um desfecho tão fascinante que é impossível não admirar o talento de Tarantino na condução da trama. Apesar de eu achar que Bastardos Inglórios foi um dos filmes mais super estimados de 2009, também não deixo de admirar suas óbvias qualidades. E sendo assim, torço para que Tarantino volte a ser o roteirista e diretor que eu tanto admirava.

NOTA: 8

2 comentários:

Tiago Ramos disse...

Inglourious Basterds é um filme de um cinéfilo, feito para cinéfilos. O Cinema é homenageado em cada frame do filme, nem que seja por uma sala de cinema ser o palco do maior clímax da longa-metragem. Apenas alguém com enorme respeito pelo Cinema, mas também com uma visão avant-gard poderia ter a coragem de reescrever a História mundial. I believe I just made my masterpiece diz uma personagem em jeito de ironia, como que falando por intermédio de Tarantino.

Anônimo disse...

Tiago Ramos disse tudo.

Real Time Web Analytics