Tempos de Lobo



Tempos de Lobo começa mostrando uma família chegando a um chalé em meio a floresta. Assim que abrem a porta, são surpreendidos por um homem que está lá dentro com uma espingarda. Este homem mata o pai da família, e a mãe e os dois filhos são obrigados a fugirem dali. Aos poucos, o roteirista e diretor Michael Haneke nos surpreende com a gravidade da história: não é apenas aquela família que encontrou a tragédia, mas todo o mundo. Na verdade, o filme parece estar narrando um futuro pós-apocalíptico, embora jamais dê qualquer referência disso.

Haneke, um cineasta de primeira linha como mostrou em Caché e Violência Gratuita por exemplo, cria uma história simples, enquanto parece estudar a natureza humana, e de início há uma terrível constatação do diretor: assim como o pai foi morto sem motivo, assim o pequeno garoto o faz com o passarinho que morre sufocado em sua jaqueta, ou seja, o homicídio é apenas uma das características de nossa espécie. E embora o cineasta carregue o filme com simbolismos difíceis e duros como este, é interessante que ao final, Tempos de Lobo seja um filme otimista.

Assim como fez em Caché, Haneke mostra a família como uma estrutura importantíssima, mas cada vez mais frágil, e que a filha evite conversar com a mãe, assim como o filho que parece sempre disposto a fugir, Tempos de Lobo também surpreende ao dar mais atenção as relações das crianças entre os outros personagens em meio aquele caos, algo que só deixa o filme mais tenso.

Prejudicado apenas pelo ritmo lento, que ao contrário do resto de suas obras não chega a realmente incomodar, Tempos de Lobo é um filme obrigatório para fãs do grande diretor, ou pode servir como uma bela introdução a aqueles que querem conhecer este grande cineasta.


NOTA: 9

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