Operação Valquíria



Bryan Singer começou sua carreira com dois filmes incríveis: Os Suspeitos e (meu favorito) O Aprendiz. Logo depois, fez uma bem sucedida investida no cinema comercial nos dois ótimos primeiros capítulos da saga X-Men, só pra fazer a burrada de dirigir o mediano Superman - O Retorno. Operação Valquíria não está a altura de seus quatro primeiros filmes, mas pelo menos mostra que nem todo o talento do diretor se perdeu.

O filme faz justiça histórica ao mostrar uma conspiração de militares e políticos alemães que repudiavam o comando de Hitler na Segunda Guerra Mundial, e recrutam o coronel Stauffenberg para liderar o golpe de Estado que só poderá ser feito com a morte de Adolf Hitler. Assim como Zodíaco de David Fincher, já sabemos o final, e mesmo assim, o filme consegue surpreender e manter um clima tenso durante toda a narrativa, com a diferença que, se em Zodíaco o suspense constante era mantido pela abordagem criativa do roteiro, aqui caímos em alguns clichês e sustos falsos, algo que se torna irritante depois de um tempo.

Tom Cruise faz um bom trabalho como o coronel Stauffenberg, numa atuação contida e surpreendente, algo corajoso em meio a atores como Kenneth Branagh, Bill Nighy e Tom Wilkinson. Por outro lado, David Bamber consegue a proeza de tornar Adolf Hitler num personagem apagado e sem qualquer destaque, destruindo duas cenas importantíssimas. E se admiro o trabalho de Thomas Kretschmann, também devo dizer que passou da hora de ele parar de interpretar nazistas.

A direção segura e confiante de Singer consegue criar cenas brilhantes, como o bombardeio na casa do coronel ao som de Wagner, ou o tenso telefonema para autorização da tal operação Valquíria. É uma pena que o filme se renda a desnecessários suspenses, que demonstram uma certa falta de confiança dos roteiristas na história que estão contando.

NOTA: 7

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