O Espelho



Dirigido pelo genial Andrei Tarkovsky, O Espelho apresenta o uso de câmera mais inteligente de todos os tempos, junto com O Escafandro e a Borboleta. O filme é uma poesia visual sobre a estrutura familiar abalada pela Segunda Guerra Mundial, e não é a toa que várias partes contam com cenas da época, utilizadas com maestria pelo diretor. Mas o mais forte de O Espelho é a maneira sensível em como o diretor retrata a melancolia que todos sentimos com a saudades da infância, e também os sacrifícios inimagináveis que as mulheres fazem ao se tornarem mães.

Aliás, a brilhante idéia de Tarkovsky de utilizar a mesma atriz para interpretar a mãe e a ex-esposa do protagonista não se revela apenas psicologicamente fascinante, como serve para organizar o caos de sua narrativa (que também brinca com as cores das cenas). E nesse sentido, a cena logo no início que mostra uma casa pegando fogo (num dos planos-sequência mais brilhantes já realizados, diga-se de passagem) não serve apenas como um simbolismo fascinante, como também para esclarecer a complexa estrutura da narrativa, que mistura memórias e sonhos, sem jamais estaelecer uma linha clara de onde um começa e outro termina.

Contando com movimentos de câmera que continuam tão impressionantes quanto na época, Tarkovsky impressiona com o visual impressionante da obra, e com cenas que dificilmente sairão da mente de quem assistir, como a cena em que da desajeitada dança da mãe em meio a casa que desmorona, enquanto parece chover dentro dela, ou a perturbadora cena em que a criança vê dois fantasmas na casa do pai.

Marcado ainda por uma trilha sonora emocionante e uma direção de arte impressionante, O Espelho é uma obra-prima do cinema, que embora não chegue a se igualar com o magistral Stalker, deve ser visto por admiradores da sétima arte.


NOTA: 10

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