JCVD



JCVD não é apenas o melhor filme em que Jean-Claude Van Damme atuou, e ele não tem apenas sua melhor atuação aqui: JCVD é um verdadeiro exemplo de um filme corajoso em sua linguagem, que mesmo com seus escassos problemas no roteiro (mais sobre isso adiante), consegue prender a atenção do espectador ao fazê-lo sentir que está conhecendo o astro. O filme provavelmente vai ser lembrado pela atuação de Van Damme, mas insisto que o melhor de tudo é a direção firme e inventiva de Mabrouk El Mechri. O filme mostra a situação de Van Damme ao fim das filmagens, quando também enfrenta uma batalha judicial pela guarda da filha e falido. Ao entrar num escritório dos correios, tiros são disparados, e a polícia acredita que ele seja o sequestrador.

Mabrouk El Mechri já demonstra seu talento como diretor na cena inicial, em um divertido plano-sequência que termina de maneira extremamente cínica, ao mostrar o diretor oriental sem olhar para o monitor, e sim concentrado em um jogo de tiro-ao-alvo onde no meio está escrito Hollywood. Uma cena econômica, na qual Van Damme parece estar mostrando o tipo de pessoas com quem ele vinha trabalhando. E se o roteiro falha ao apresentar personagens que deveriam ter mais importância (como as vítimas do sequestro), o diretor compensa isso com cenas rápidas que salientam o caos da situação (ou seja, não conhecemos os personagens porque não havia tempo para isso).

Mas é impossível negar os vários méritos do ator belga Jean-Claude Van Damme: mesmo que seu trabalho pareça fácil (atuar a si mesmo), nada pode ser mais desafiador para um ator do que isso, afinal ele não apenas tem que 'se atuar' mas também encarnar a persona que o público imagina dele. Logo, Van Damme faz uma atuação corajosa que jamais procura suavizar sua persona: demonstrando um temperamento um tanto instável e facilmente irritado, o ator também mostra uma faceta bastante desagradável na cena do julgamento, principalmente ao não olhar para a filha depois de seu depoimento.

JCVD ainda encontra espaço para fazer uma curiosa brincadeira meta-linguística quando no início do terceiro ato, somos surpreendidos com um monólogo simples e emocionante do ator, que eleva o filme a outro patamar. Se de início estávamos apenas vendo o primeiro grande filme de Van Damme, depois disso temos a certeza de que testemunhamos algo de muito especial, principalmente depois da extraordinária cena final.


NOTA: 10

8 comentários:

Knight Marcos disse...

Caraca! Nota 10 para um filme do Van Damme. Já estava curioso, agora vou ter que assistir.

Ibertson Medeiros disse...

Tenho ele faz tempo aqui, mas ainda não vi.
Quero ver não só por causa das elogiosas críticas à atuação do Van Damme, mas também por ser um filme belga, cinema que tem me conquistado recentemente.

marcia disse...

Eu achei a linguagem do filme muito interessante, a fotografia ótima e a atuação do Van Damme (surpresa!) é tão convincente que você fica com dificuldades em separar o que é ficção do que é real...

marcia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
marcia disse...

Eu achei a linguagem do filme muito interessante, a fotografia ótima e a atuação do Van Damme (surpresa!) é tão convincente que você fica com dificuldades em separar o que ficção do que é real...

Rose- SP Brasil disse...

O filme é bem intrigante, vc se pergunta quem é Van Dame, o homem sensivel ou um astro metido de holiooddy.
Mas enfim ele é bom e maravilhoso em tudo que faz.
Parabéns Jean vc é o máximo!!!

luensix disse...

Muito bom o filme...

Anônimo disse...

Cresci assistindo os filmes dele e com certeza é o melhor filme. JCVD, você é o cara e esse filme é demais! Nota 10.

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