Frost/Nixon



Dono de uma carreira irregular, repleta de sucessos comerciais mas artisticamente fracos, o diretor Ron Howard fez em Frost/Nixon seu filme mais maduro e interessante, ao trabalhar em parceria com o roteirista Peter Morgan (de A Rainha e O Último Rei da Escócia). Morgan parece estar se tornando um especialista em recriar os bastidores de escândalos políticos, e o melhor: de maneira respeitosa, jamais usando de panfletarismo barato.

Infelizmente, o roteirista errou a mão ao usar de desnecessárias entrevistas dos personagens, algo que surge pior do que uma típica narração em off, já que as entrevistas apenas complementam coisas que foram (ou serão) ditas no filme. Por outro lado, Morgan acerta perfeitamente na construção dos bastidores da entrevista, algo que Howard consegue mostrar muito bem, tornando o filme ágil e surpreendentemente tenso.

Frank Langella cria uma versão interessante de Nixon, arrogante e absolutamente incapaz de conversar de maneira comum com alguém, e até suas piadas surgem como grandes embaraços. Porém, Michael Sheen tem uma atuação muito superior a de Langella, e é uma pena que ele tenha sido esquecido nas premiações, já que ele torna David Frost o personagem mais fascinante do filme. Fechando o elenco, Kevin Bacon e Sam Rockewll são outros destaques no filme (em especial o primeiro, cuja última cena é o grande destaque).

Mesmo não sendo um filme perfeito, Frost/Nixon mostra que Ron Howard pode realizar obras muito mais ambiciosas e interessantes do que costumava fazer. Pena que logo depois daqui foi fazer Anjos e Demônios e exibiu seus velhos vícios de um diretor que parece seguir um manual de instruções gigante antes de gritar 'Ação' no set.


NOTA: 7,5

3 comentários:

Alyson Xyzyx disse...

Realmente é um amadurecimento do diretor e um filme que se assiste sem problemas. Apesar da qualidade, não o colocaria entre cinco indicados ao Oscar.

Abraços!

Tiago Lipka disse...

Concordo plenamente. Acho que no máximo, o filme mereceu as indicações pelas atuações.

O Cara da Locadora disse...

Cara, essas entrevistas tipo "documentário-fake" realmente foi muito tosco, rs... Mas fora isso achei um EXCELENTE filme e adorei a idéia de se mostrar um momento tão importante da história política mundial de uma forma tão intimista...

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