A Festa da Menina Morta



Impossível, para mim, não comparar este A Festa da Menina Morta com o Feliz Natal dirigido por Selton Mello. Não só por ser a estréia de dois atores na direção, que fazem tudo que vêem pela frente no cinema nacional (aqui Matheus Nachtergaele), mas por serem dois filmes distintos que lidam com temas semelhantes: ambos são filmes sobre tradições, conflitos familiares. Mas enquanto o filme de Selton Mello exalava uma arrogância que atrapalhava o filme, este A Festa da Menina Morta se mostra muito mais sensível e surpreendente.

Não que não tenha sua parcela de erros: a primeira parte do filme que mostra a preparação da festa falha terrivelmente em apresentar os personagens e como suas histórias se ligam: vemos um quebra-cabeças, mas o diretor não nos deixa ver como a imagem está se formando, algo que prejudica até mesmo as atuações, principalmente a de Daniel de Oliveira, que interpretando o Santinho, só ganha credibilidade depois da metade do filme: de início, parece exagerado e caricato; só depois faz sentido.

Por outro lado, é impossível não elogiar o ato final do filme que não apenas fecha os arcos dramáticos mal apresentados no início de maneira inteligente e sensível, como também desfere um golpe no estômago do espectador, ao nos surpreender (principalmente) com o discurso de Santinho, ao final. Se o filme parece lamentar a maneira como aquela pequena população vive a 20 anos a ilusão de um milagre, e como isso parece prender os habitantes aquela vida, ao final a sensação é a de que, apesar dos nossos julgamentos, a relação entre as pessoas acaba funcionando daquela forma, algo que só aumenta a melancolia no fim da história.

NOTA: 7,5

2 comentários:

Elton Telles disse...

Também concordo que o filme de Nachtergaele é superior ao de Selton Mello, mas isso não significa que "A Festa da Menina Morta" seja um filme imperdível. Curioso que o que tu aponta como erro, eu logo vejo como uma das maiores qualidades do filme: a despretensão e comodidade do diretor em apresentar sua história durante o primeiro ato do filme. Gosto quando tudo vai se amarrando cena por cena até o espectador se tocar o tema e ambientação do filme.

E concordo que as atuações estão mesmo teatrais. Daniel de Oliveria se revela cômodo no papel do Santinho, mas os exageros na composição do personagem prejudicam muito sua caracterização. E o ponto mais fraco do projeto, na minha opinião, reside justamente na direçao falha de Nachtergaele. Como diretor novato, abusa de ângulos e técnicas que não colaboram com a história e tudo acaba tornando um exercício visual sem alma, vazio. Porém, a história em si é suficientemente interessante e hipnotiza o espectador, culminando no surpreendente desfecho do filme.
Bom o texto, embora divergimos de alguns pontos =]

abraço!

ah, fiz um blog também recentemente. Ainda está engatinhando...

http://www.pospremiere.blogspot.com/

Tiago Lipka disse...

Olá Elton,

Entendo que a idéia do filme tenha sido justamente envolver o público aos poucos, mas na minha opinião, não consegue, e entendo perfeitamente quem desistiu de ver o filme pelo seu início.

Quanto a direção do Matheus Nachtergaele, apesar de alguns equívocos comuns em diretores novatos, achei que ele fez um bom trabalho, principalmente nos planos mais longos.

Abraço! o/

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