Dominion: Prequel to The Exorcist



Primeiro de tudo: a idéia de fazer uma sequência ou prelúdio de O Exorcista, provavelmente o filme de terror mais bem sucedido de todos os tempos é de uma idiotice única, já que independente do gênero, trata-se de um clássico que não deve nada a grandes clássicos do cinema: alguém faria uma sequência de Casablanca? Um prelúdio de Lawrence da Arábia? (Bom parar aqui pra não ficar dando idéia...)

Fora isso, ao menos esse Dominion: Prequel to The Exorcist (que foi refilmado por Renny Harlin e resultou no péssimo O Exorcista - O Início) dirigido por Paul Shrader tem uma temática forte e apresenta o padre Merrin como um personagem tão fascinante que é impossível ignorar seus pontos fortes, apesar de que para o público em geral serão os defeitos que ficarão mais destacados: os efeitos especiais fraquíssimos (que, convenhamos, poderiam ter sido cortados) são daquele jeito pois o filme nunca foi finalizado. Não que isso sirva de desculpa, mas olhando além dessa questão técnica, devo dizer que o roteiro do filme merece muitos elogios.

Como comentei em O Acompanhante, não sou grande fã de Shrader na direção, mas aqui ele me surpreendeu: apesar de alguns habituais exageros visuais que incomodam (o sonho do protagonista, que é criativo e só serve no ato final), a sequência inicial no Holocausto é uma bela amostra do esforço do diretor. Além disso, Shrader jamais força a mão na parte sobrenatural da história, deixando-a praticamente como uma trama secundária durante boa parte da trama, algo que se revela uma decisão inteligentíssima já que, quando o demônio finalmente aparece, o filme já está num ritmo caótico, algo que só aumenta a tensão.

Mas como comentei, é a inteligência do roteiro que me surpreendeu: e nesse sentido, vale ressaltar que a rima visual entre o nazista executando judeus com o capitão inglês atirando nos africanos não é apenas instigante, mas revela uma das camadas mais interessantes do filme (e que se perdeu completamente em O Exorcista - O Início). Interpretado com sutileza por Stelan Skarsgård, o padre Merrin é atormentado por sua experiência em um vilarejo durante o Holocausto. Sem jamais se desligar oficialmente da igreja, o filme deixa claro como sua fé está abalada, e quando ele revela isso a outro personagem, é de uma maneira inocente, num comentário banal. E o terceiro ato do filme, no qual ele se confronta com o próprio demônio é fortíssimo graças a bela e sutil construção do personagem no roteiro. E nesse ponto, Dominion acerta como uma homenagem ao O Exorcista (já que o confronto é psicologicamente tão forte, que é perfeitamente compreensível que o demônio do filme esteja procurando uma revanche). E por mais incrível que pareça, isso é mais do que o suficiente.

NOTA: 8

1 comentários:

Adriano Mendes disse...

Essa versão que deveria ter sido lançado e não a "refilmagem".

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