Além do Azul



Além do Azul é um mockumentary experimental que se não tivesse a inteligência de Werner Herzog em seu comando, provavelmente seria um filme facilmente esquecível. Apenas as doses de humor do diretor, somado com sua caótica visão do mundo são capazes de prender alguma atenção. Aliás, minto: a atuação de Brad Dourif como o alienígena que narra o documentário é sensacional: se não caímos na gargalhada quando o personagem diz que veio dos confins de Andrômeda é pela presença forte e incômoda do ator.

O filme tem seus momentos divertidos, como a lógica dos alienígenas em se aproximar dos humanos construindo shopping centers, mas é também cheio de divagações sobre a ordem caótica do universo, e um diretor da capacidade de Herzog deveria saber que é impossível levar a sério o que é dito num documentário-falso, algo que só atrapalha os momentos em que mostra entrevistas com cientistas que falam sobre a mobilidade no espaço sideral.

Além do Azul também tem cenas interessantes mostrando o convívio dos astronautas em sua nave, e de quando chegam ao planeta de céu congelado, mas o diretor parece estar brincando com estas cenas assim como Ed Wood reaproveitava cenas do chão da sala de montagem das produtoras, e cria cenas longas em que o diretor confia demais na trilha sonora para manter a atenção do público. O filme foi um tiro no escuro, que realmente não deu certo. Poderia render um curta-metragem interessante talvez. Mesmo assim, gostei de ouvir o que Herzog tinha pra dizer, só não pretendo assistir de novo.

NOTA: 5

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