Abraços Partidos



Conheci o cinema de Pedro Almodóvar no que foi, provavelmente, a melhor época de sua carreira, já que lançou três verdadeiras obras-primas: Carne Trêmula, Tudo Sobre Minha Mãe e Fale com Ela. Quando fui conhecendo o resto da obra do diretor, me surpreendi com o fato de não ter encontrado nenhum filme que se igualasse a qualidade daqueles três, e isso acabou valendo para seus filmes mais recentes, inclusive. Mas também não lembro de nenhum deles que fosse tão fraco quanto esse Abraços Partidos.

Abraços Partidos é um filme com bons momentos, mas analisemos: a cena em que a personagem de Penélope Cruz se dubla ao ver que o marido está vendo o documentário que o filho grava. Se a cena possui uma metalinguagem interessante e complexa, ela também é melodramática e artificial, mesmo que esteticamente bonita. Aliás, se o filme merece elogios é pela fotografia e a direção de arte, algo que é praticamente uma característica do diretor, que sabe usar cores como poucos.

Infelizmente, o roteiro "complexo" conta ums história simplista, que na tentativa de homenagear grandes filmes da história do cinema, acaba sendo uma pálida mescla de Cidade dos Sonhos, e até mesmo Encaixotando Helena. Outro ponto forte do diretor, que são os personagens coadjuvantes fortes e que acabam roubando a cena (lembro de Tudo Sobre Minha Mãe, principalmente) aqui se mostram estúpidos e caricatos: o tal Raio-X (nome de obviedade terrível, diga-se de passagem) é um personagem embaraçoso, que fica ainda pior com a péssima atuação de Rubén Ochandiano.

E se a história do diretor enquanto faz o filme se revela o único ponto realmente interessante do filme (apesar da arrogância de Almodóvar, principalmente em sua visão do produtor), é lamentável que seu arco dramático se feche com um diálogo piegas e expositivo, que não apenas diminui todo o bom clima de mistério, como diminui todas as poucas qualidades que o filme apresentava.


NOTA: 3,5

3 comentários:

Tiago Ramos disse...

A filmografia de Almodóvar é grande parte dela melodramática. É esse o seu encanto aquilo que sabe fazer e Los Abrazos Rotos não me desiludiu.
Pedro Almodóvar cria um filme muito difícil de definir, num registo já habitual de melodrama exacerbado, com uma visão irónica e cínica da sociedade, mas sobretudo uma, muito bonita, homenagem ao Cinema e inclusive ao seu Cinema. Consciente da sua personalidade enquanto ícone do cinema espanhol, Pedro Almodóvar cria um autêntico, divertido e consciente jogo de auto-citações e referências (veja-se o filme dentro do filme que dá mote ao projecto, que não é mais que uma reconstituição de Mujeres al borde de um ataque de nervios).

Tiago Lipka disse...

Olá Tiago,

Truffaut, Lynch, Kaufman e Fellini, por exemplo, já fizeram obras nas quais claramente faziam referências a seus próprios trabalhos, da mesma maneira que Almodóvar fez em Abraços Partidos, mas nenhum deles chegou perto da arrogância exibida aqui pelo diretor espanhol.

Na minha opinião (e de maneira grosseira), é como se Almodóvar se masturbasse olhando sua própria obra.

Respeito e entendo que os fãs assíduos do diretor tenham gostado do filme, mas ele não só não me agradou como me decepcionou muito nesse sentido.

Abraço o/

Anônimo disse...

o filme não é dos melhores, mas não entendi a falta de comentários quanto a atuação de la cruz. aliás, percebo fazendo comentários as evzes pra atrizes menos favorecidas, já vi até pra jessica biel (??), keira knithley, e nunca vejo fazendo comentários sobre penelope.

pra mim é uma das grandes! sem contar, belíssima. quando vi o trabalho dela em fatal, nem acreditei. é incrível essa moça. que bom que não ficou como outras atrizes latinas, sempre condenada a fazer papel de amante gostosa.
seria imperdoável.

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