Maria Antonieta



Maria Antonieta é um filme de época bem feito, com figurinos caprichados, direção de arte cuidadosa e uma bela fotografia. Mas isso é o mínimo que um filme de época tem de ser, afinal de que adianta tanto esmero se o filme for uma merda, como é o caso deste terrível Maria Antonieta. Inacreditavelmente dirigido por Sofia Coppola (dos excelentes As Virgens Suicidas e Encontros e Desencontros), o filme é vazio, chato, arrastado e manipulador no pior dos sentidos.

Coppola tenta fazer da personagem histórica num símbolo do niilismo da juventude de hoje, mas consegue apenas fazer um filme niilista. Acompanhar a jornada de Maria Antonieta é tão interessante quanto acompanhar o dia de uma adolescente comum: o filme reflete o nada sobre o nada. E a atuação preguiçosa e embaraçosa de Kirsten Dunst só piora a jornada da moça, e o close na moça quando ela chora é digno de novela das seis.

A direção de Sofia Coppola também consegue ser terrível: na primeira cena de jantar, é impressionante como ouvimos vários diálogos sem jamais identificarmos quem está falando, tornando a cena deslocada e muito mal montada: se a idéia era mostrar a situação pelos olhos de Maria Antonieta, pior ainda já que a moça (no filme, repito) não parece ter muito na cabeça. Além disso, depois de quase uma hora de filme, é patético que o roteiro tente inserir algumas cenas de fundo político.

Contando com um ótimo elenco desperdiçado (como Steve Coogan, Danny Huston ou Mathieu Amalric, que pelo menos só tem uma fala), Maria Antonieta é um filme pretensioso no pior dos sentidos: seus anacronismos como o bale de gala ao som de B-52's ou o polêmico All Star que aparece em cena só conseguiram me lembrar do péssimo Coração de Cavaleiro com Heath Ledger. O filme tenta falar sobre futilidade, e vazio existencial: curiosamente, é justamente futil e vazio.

PS: Sofia Coppola perdeu a cabeça? Ok, piada sem graça...

NOTA: 0

3 comentários:

Licalilica disse...

Ok, discordo. Por que? Pelo simples motivo que ninguém entende que Maria Antonieta não tem a intenção de ser um filme de época bem executado, mas sim a história humana de uma menina obrigada a assumir um papel e dentro dele vemos a transformação da mulher. Não é pra contar fatos históricos e cumpre seu papel quando fala da humanidade da personagem que (por acaso) é histórica.
Eu acho que você tem que ter sido mulher e passado pela adolescência pra entender as sutilezas do filme. Mas essa é só minha opinião.

Pedro Tavares disse...

Eu concordo plenamente contigo. :)

Tiago Lipka disse...

Pedro, concorda com qual dos dois? hehehe

Priscylla: é claro para mim que a Sofia Coppola tomou várias liberdades históricas para jogar sua idéia em meio a história. O problema é que realmente não me convenceu em nenhum momento, e pior: em comparação até mesmo a Bella da saga Crepúsculo é mais rica e complexa que a Maria Antonieta da Coppola. E isso não foi um elogio a Bella.

Mas se concordarmos em tudo, não teria graça nenhuma =)

Abraço o/

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