Há Tanto Tempo que te Amo



Há Tanto Tempo que te Amo é um estudo de personagem sutil e interessante, principalmente pela atuação soberba de Kristin Scott Thomas. Perdendo a força no segundo ato pelo excesso de personagens, o filme porém, conta com um desfecho forte e emocionante que se revela sublime. Escrito e dirigido por Phillipe Claudel (em seu primeiro longa-metragem), ele se revela um artista  promissor, já que apesar dos erros, demonstra um cuidado invejável em seu trabalho.

Observem, por exemplo, como no início do filme ele mostra Juliette em quadros sempre estáticos, enquanto sua irmã Léa é mostrada sempre em cenas em movimento, desde travellings até cenas com câmera na mão, contrastando de forma sutil a idéia de que Juliette "parou no tempo" de certa forma, e aos poucos, conforme ela consegue se adaptar a vida fora da prisão, o diretor começa a fazer leves travellings, algo sutil e que mostra a asegurança do diretor ao contar a história.

Infelizmente, por mais que os personagens do filme se mostrem interessantes (principalmente o tenente da delegacia que parece viver na ilusão de visitar um rio), o filme fica muito lento em seu segundo ato, dando a impressão de fazer um mistério barato quanto aos mistérios da personagem de Juliette, e a cena em um jantar em que ela é praticamente forçada a contar o porque esteve ausente por tanto tempo chega a ser embaraçosa, nesse sentido.

Há Tanto Tempo que te Amo, porém conta com um desfecho tão forte que consegue retomar a força que tinha no início, e não apenas justifica o silêncio e mistério de sua personagem, como também lida com um tema difícil (que não vou revelar, obviamente) de maneira tão sensível que é impossível não reconhecer seus méritos.


NOTA: 8,5

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