Geração Prozac



Dirigido por Erik Skjoldbærg (que dirigiu o Insônia que foi refilmado por Cristopher Nolan), Geração Prozac é um filme corajoso sobre depressão, que utiliza de todas as maneiras possíveis para mergulhar o espectador nos violentos surtos de sua protagonista. E mesmo sem contar com cenas gráficas fortes, o filme me lembrou a maneira como Darren Aronofsky se utilizou de cortes rápidos, lentes e outras trucagens para passar a sensação de horror psicológico em Réquiem Para um Sonho; além disso, outra comparação válida é com o sensível As Horas, embora este Geração Prozac esteja menos interessado em discutir a depressão e sim retratá-la, os dois filmes são habilidosos em mostrar as consequências deste problema para com todos os que cercam os personagens.

Baseado no livro autobiográfico de Elizabeth Wurtzel, o filme conta a sua história de forma original (é quase um making-of do livro), mostrando sua entrada de sucesso na univerdidade de Harvard, quando é aclamada até mesmo pela revista Rolling Stone graças aos seus textos sobre música, e sua rápida descida ao inferno da depressão quando entra num bloqueio criativo.

Encarnando Elizabeth com a mesma entrega de Mickey Rourke em O Ludador, por exemplo, Christina Ricci dá uma atuação corajosa e repleta de complexidade. A cena de nudez que surje logo no início é um exemplo curioso do brilhante trabalho da atriz, desde sua voz até a postura do corpo, levemente curvado como se estivesse pronto para desabar a qualquer momento. E Jessica Lange encarna a mãe da personagem de maneira surpreendente, assim como Anne Heche transforma a psicóloga numa das figuras mais fortes do filme, apesar do pouco tempo em tela. E vale elogiar também Jason Biggs que (finalmente!) entrega uma boa atuação.

O diretor Erik Skjoldbærg cria um clima opressivo e forte ao filme, mesmo quando cria cenas mais amenas, como o delírio de Elizabeth com Lou Reed. A maneira como os embates verbais são mostrados também são dignos de nota, sempre cruelmente honestos. Contando com um final genial (no qual explica o título do filme enquanto compara o Prozac como uma droga) e incrivelmente otimista, Geração Prozac não é um filme fácil de recomendar, já que sua intenção é justamente ser uma espécie de viagem ao inferno. Gradualmente, e depois rapidamente. Mesmo assim, é um filme eficaz e genial em seu propósito, e só cabe ao espectador entrar na jornada ou não.

NOTA: 10

2 comentários:

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Comentário excelente sobre o filme... Me identifiquei de alguma forma com a personagem, não em tudo, nada que chegue a uma depressão, como no caso dela.

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