À Deriva



À Deriva é um filme que começa leve e divertido, e que vai crescendo aos poucos como um interessante e complexo drama familiar sobre uma separação. Dirigido por Heitor Dhalia (do magnífico O Cheiro do Ralo), o filme narra este drama a partir do ponto de vista de Filipa (Laura Neiva), filha mais velha do casal formado por Vincent Cassel e Débora Bloch, que vem se descobrindo sexualmente enquanto descobre um caso extra-conjugal de seu pai.

Infelizmente é justamente esse o drama que é desenvolvido de maneira menos interessante pelo roteiro. E Laura Neiva é uma jovem atriz talentosa, mas não consegue dar carisma o suficiente para a personagem que parece umss simples adolescente aborrecida. Já Vincent Cassel está numa atuação espetacular, falando português bem e com um sotaque divertido, ele consegue demonstrar um enorme carinho pelos filhos, justificando sua paciência com a esposa, interpretada com sensibilidade e inteligência por Débora Bloch, e a história por trás do casal é o que o filme tem de melhor.

À Deriva também conta com uma das fotografias mais belas já vistas num filme nacional em muitos anos (só consigo compará-lo ao sensacional A Ostra e o Vento). E Dhalia novamente se mostra um diretor de talento, utilizando enquadramentos bem compostos e movimentos de câmera elegantes e perfeitos para as situações. Contando com um curioso final feliz, À Deriva é um ótimo filme que só derrapa quando foge de seu tema principal: o divórcio e suas consequências para os pais e filhos, algo que o roteiro trata de maneira direta e surpreendente.

NOTA: 8,5

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