Cinema Aspirinas e Urubus



É um filme feito de sutilezas, que usa o silêncio como a melhor forma de comunicação. Road-movie simples e honesto, Cinema Aspirinas e Urubus é um dos melhores filmes nacionais da década. Dirigido por Marcelo Gomes, conta a história de Johann, um alemão fugitivo da Segunda Guerra que atravessa o Brasil de carro divulgando uma aspirina com filmes de propaganda. Ao chegar no sertão, começa a ser ajudado por Ranulpho, um rapaz local que despreza o povo e as tradições que o cercam.

Assim como mostrou em sua performance em Estômago, João Miguel vem se tornando um dos grandes nomes no cinema nacional, e não é a toa: sua atuação como Ranulpho é digna de prêmios, divertido, consistente e, principalmente, sutil (não é a toa que quando nos damos conta, o personagem passou por uma transformação dramática forte e diante dos nossos olhos), enquanto Peter Ketnath também usa da sutileza, embora com um forte tom de melancolia.

Apostando num clima silencioso durante todo o filme (sempre sinal de grande segurança do diretor), Marcelo Gomes aposta numa direção mais voltada para os atores do que qualquer outra coisa, mesmo que em um momento ou outro, ele realize brincadeiras visuais interessantes como na cena de abertura, e sua rima visual no final.

Infelizmente, o filme perde muito o ritmo em seus 15 minutos finais, arrastando demais o desfecho, que é belo, sem dúvida, mas demora demais a acontecer. A montagem parece estender o nada e erra como evitou durante todo o filme. Mas nem isso consegue diminuir a força notável de Cinema Aspirinas e Urubus, um desses filmes que me dão orgulho de ser brasileiro.


NOTA: 9

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