Caos Calmo



Caos Calmo é um drama curioso e eficiente sobre o luto. Como o próprio título nos diz, o filme acompanha um pai e sua filha lidando com a morte da mãe de maneira tão calma e suave que para quem os cerca, chega a ser estranho (não é a toa que algumas pessoas dizem que eles não a amavam, por conta disso). Protagonizado pelo sempre genial Nanni Moretti, o filme acompanha a curiosa jornada desse personagem que em meio a um turbilhão em sua vida, encontra tempo para esperar sua filha em frente a escola enquanto ela está lá, e portanto, refletir sobre sua vida com calma.

Momento chave do filme é quando o protagonista vai até uma reunião de pais que perderam o ente querido: claramente desconfortável e incapaz de se identificar com nenhum dos discursos ditos pelos outros, o personagem acaba encontrando sozinho a própria dor. Vale dizer que Nanni Moretti é considerado o "Woody Allen italiano", mas como é muito mais ator que Woody Allen, e sua atuação em Caos Calmo é tão genial quanto a sua dolorosa performance no magnífico O Quarto do Filho.

Infelizmente, o filme acaba atingindo o clímax muito antes do seu final: se na primeira hora eu estava até surpreso com a rapidez que o filme resolvia seus dilemas, logo depois, percebi que havia mais a ser resolvido, e até o seu final, Caos Calmo acaba se arrastando demais. E por mais que eu admire a ponta de Roman Polanski (tanto pela atuação quanto o porque de ele estar no filme), confesso que a cena também se alonga demais, e tem um desfecho até decepcionante. Mesmo assim, Caos Calmo merece ser visto, por ser um drama eficiente e bonito sobre a morte, e que jamais abusa do sofrimento de seus personagens para martelar sua mensagem.

NOTA: 8

0 comentários:

Real Time Web Analytics