Brüno


Em vários momentos de Brüno, o tiro sai pela culatra: ao contrário do que conseguiram fazer no perfeito Borat, o diretor Larry Charles e Sacha Baron Cohen parecem mais interessados no lado cômico das situações (e são bem sucedidos, diga-se de passagem) do que em expor uma crítica sutil e chocante. Apesar que, nos poucos momentos em que Brüno faz essa crítica, o filme realmente acerta e se torna memorável.

Para começar, a história de Brüno apesar de divertida, toma um longo tempo no início para estabelecer o personagem. Fora isso, a história de seu personagem que quer ser famoso rende situações engraçadas no início, mas sem o mesmo efeito de Borat: quando o personagem entrevista Paula Abdul usando mexicanos como cadeiras enquanto ela fala sobre seu trabalho humanitário, a sacada é boa, mas não dá pra dizer que o diretor e o ator forçaram demais a barra para isso acontecer.

Mas como eu disse, Brüno tem momentos em que mostra um lado crítico forte, e são nesses momentos que o filme realmente ganha força e deixa de ser só uma comédia qualquer: e quando Brüno faz uma seleção de bebês para fazer uma sessão de fotos, o filme mostra o absurdo dos pais que ganham dinheiro através da imagem dos filhos (aceitando as condições absurdas do personagem), ou mesmo no início quando entrevista a modelo e os dois falam sobre as "dificuldades" de ser modelo. Mas não é só isso: assim como em Borat, Sacha Baron Cohen volta a mostrar o ridículo por trás das instituições religiosas, ao fazer seu personagem desejar ser hetero, sendo auxiliado por pastores terrivelmente homofóbicos e machistas.

E falando em Sacha Baron Cohen, mais uma vez o ator mostra um invejável domínio e concentração absoluta em seu personagem, e várias cenas desnecessárias no filme, só ganham graça através de improvisos louváveis do ator, como a disparar um "Dulce and Gabbana, hello!" em frente a dois oficiais do exército americano. Infelizmente, o ator perde oportunidades sensacionais de fazer críticas ao investir num humor alá Jackass, como ao atravessar uma passeata contra homossexuais nu e amarrado ao seu assistente, presos através de... hum, deixe quieto. Sendo assim, Brüno não é nem de longe tão engraçado e cínico como Borat, mas é irresistivelmente engraçado e forte em sua mensagem o suficiente para merecer uma recomendação.

NOTA: 8

0 comentários:

Real Time Web Analytics