A Vida Secreta das Palavras



A Vida Secreta das Palavras é um filme surpreendente desde o início, quando nos coloca ao lado de Hanna (Sarah Polley). A personagem é isolada e falar parece ser um grande esforço para ela, e mais: aos poucos, uma curiosa hostilidade vai aparecendo na personagem, e o filme não facilita em nada nossa identificação com ela. Mesmo assim, a nossa curiosidade sobre o que estaria por trás daquele comportamento é o que nos prende a obra. O filme conta a ida de Hanna para uma plataforma petrolífera onde irá cuidar de Josef (Tim Robbins), que se queimou seriamente ao tentar salvar um amigo de um acidente a bordo da plataforma.

Interpretando Hanna com o talento habitual, Sarah Polley faz uma atuação minimalista que aos poucos vai se tornando tão enigmática quanto fascinante. Já Tim Robbins faz a melhor atuação de sua carreira ao construir seu personagem com um inusitado toque cômico, que tornam suas cenas com Polley em momentos magníficos, mesmo que muito pouco seja dito.

A direção de Isabel Coixet encontra a perfeição nesse filme: ao contrário do que a diretora fez no ótimo Minha Vida Sem Mim, aqui não há qualquer alegoria e nem cenas que distraiam o público. Aliás, tudo bem que a própria plataforma se torne uma metáfora para a solidão, mas aqui as alegorias se misturam com perfeição a narrativa e jamais atrapalham.

Contando com um terceiro ato perfeito com um clímax emocional inesperado e fortíssimo e uma das cenas finais mais tristes que já vi, A Vida Secreta das Palavras peca apenas por não fechar a linha narrativa dos personagens coadjuvantes (eu, particularmente, lamentei que o filme não mostrasse um desfecho para Simon, o cozinheiro interpretado por Javier Cámara), apesar de nem isso estragar esta obra que merece ser apreciada pela coragem que surge em seu ato final.

NOTA: 9

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