Verônica



Qualquer pretensão que Verônica tivesse de ser um filme a se levar sério vai por água abaixo na animação dos créditos, que não é mal-feita, mas muito mais adequada a uma comédia do que um drama sobre uma professora que é obrigada a cuidar de uma criança cujos pais foram brutalmente assassinados. Pior ainda é a trilha sonora, uma das piores que conferi nos últimos tempos: é capenga e intrusiva.

E mesmo assim, Verônica consegue ser um bom filme, principalmente pelo esforço do elenco, com destaque a Andréa Beltrão e Marco Ricca (um dos melhores atores nacionais). O diretor Mauricio Farias, cujo curriculo inclui os fracos A Grande Famíla - O Filme e O Coronel e o Lobisomem faz um excelente trabalho na direção ao utilizar enquadramentos normalmente associados a filmes de espionagem (repare como nas cenas nas ruas, a câmera parece ser a subjetiva de alguém seguindo os personagens). Por outro lado, os momentos de flashback são terríveis e mal usados, e a cena em que Verônica descobre que os pais do garoto morreram tem um excesso visual que diminui o impacto da cena.

O roteiro também peca no início ao resumir demais a história, obrigando seus personagens a dizerem coisas como "mas você é a melhor professora dessa escola" e clichês do gênero. Além disso, há um furo impressionante no roteiro: depois que o garoto foge da casa da personagem ela simplesmente deixa de procurá-lo e vai visitar os pais e trabalhar, ignorando assim toda a responsabilidade que ela tinha perante o garoto (e não há nenhuma justificativa para isso, já que o sumiço foi testemunhado pelo ex-marido que é POLICIAL, meu Deus!).

Mesmo assim, Verônica é bem sucedido ao lidar com o drama da personagem principal, ao não saber em quem confiar, e principalmente ao ver a incrível passividade dos "bonzinhos", algo que só dá liberdade aos "malzinhos". Algo bem parecido com a realidade, e só lamento que o final não enxergue uma saída melhor: Verônica merecia algo melhor.


NOTA: 7

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