Quando Você Viu Seu Pai Pela Última Vez?



Tenho um fraco por filmes que lidam com o tema "pais e filhos", e com o nascimento do meu filho obviamente este meu fraco ficou bem mais forte. Portanto, filmes que lidam de maneira sensível e talentosa com a perda de um desses lados, como O Quarto do Filho ou As Invasões Bárbaras, são obras que guardo com imenso carinho na memória. E Quando Você Viu Seu Pai Pela Última Vez entra nessa lista com louvor. É um filme sincero, sensível, melancólico e, principalmente, direto.Sem jamais fazer drama pelo drama, o longa dirigido por Anand Tucker explora com sensibilidade e respeito a história baseada no livro auto-biográfico do poeta britânico Blake Morrison (vivido no filme por Colin Firth) sobre seu complicado relacionamento com o pai (Jim Broadbent).

No filme, Blake volta a casa do pai depois que ele é diagnosticado com um câncer terminal. Frente ao fato de que seu pai pode falecer a qualquer momento, Blake tenta ao mesmo tempo resolver seus vários conflitos não-resolvidos com sua família, como o estranho relacionamento de seu pai com uma de suas tias, por exemplo.

Surpreendendo com uma atuação contida, Colin Firth faz seu melhor trabalho nesse filme, o que não é pouco. O ator faz um trabalho intrigante como Blake, com um misto curioso de seriedade e perturbação, e em alguns momentos a extrema seriedade dele chega a nos fazer questionar sobre o que ele realmente está sentindo (a cena em que ele telefone para a esposa me vêm a mente). Aliás, o trabalho do ator é tão brilhante que quando o personagem finalmente é tomado pela dor do luto, é como se o público sentisse sua mesma dor e com a mesma intensidade, e dito isso, o trabalho do diretor deve ser extrememante elogiado, tanto pela paciência em seus planos estáticos, quanto a intensidade dos movimentos de câmera, sempre bem utilizados e de maneira extraordinária.

Mas seria injustiça não comentar também sobre a atuação do sempre grande Jim Broadbent, que cria uma das figuras paternas mais divertidas do cinema, aliás, tão divertida que a palavra irresponsável acaba acompanhando-o. E o trabalho dos dois atores combinado (e mais os atores que interpretam Blake na infância e na adolescência) fazem do filme um prazer de assistir: não é apenas claro que o pai amava seu filho de maneira imensa e carinhosa, tanto que havia até um excesso de sua parte, reparem nas piadas feitas diante da família ou de desconhecidos: todas incomodam Blake, mas Broadbent deixa claro que também havia imenso carinho nas piadas, como se fosse o único jeito que o pai encontra para colocar seu filho no meio da conversa. E claro, o lado de Blake que não é também difícil de entender. Depois de flagrar seu pai em várias situações duvidosas, infelizmente sua desconfiança se transforma num ódio tão proporcional quanto suas dúvidas, algo que acaba separando-os.

E se ao ler este texto você estiver pensando "e porque eu assistiria isso?", posso apenas dizer uma coisa: o título do filme, por exemplo pode parecer até mesmo brega, mas no final com todas as peças do triste mosaico que é, você vai estar se perguntando a mesma coisa.


NOTA: 10

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