Psicopata Americano



Quem quer ver um filme de serial killer é bom passar longe de Psicopata Americano, que na verdade é uma comédia dramática com um protagonista trágico e vazio. Escrito e dirigido por Mary Harron a partir do polêmico livro de Bret Easton Ellis, o filme na verdade é uma forte crítica a 'era Reagan' e no individualismo crescente da época. Psicopata Americano olha com nojo para os anos 80, passando longe da nostalgia de Donnie Darko.

Christian Bale é Patrick Bateman, um vice-presidente de uma grande corporação que tem um curioso hobbie: matar mendigos, prostitutas e qualquer um que lhe irrite. O filme faz escárnio como protagonista, o assassinato de um mendigo tem tanta importância quanto ao tipo de papel e a fonte utilizada nos cartões de visita dos vários vice-presidentes da empresa (e para entender melhor a piada, sugiro que assistam Enron - Os Mais Espertos da Sala).

A direção de Mary Harron é inteligente ao mostrar o vazio no apartamento e no escritório de Bateman, e ao salientar o absurdo da história, como no momento em que Bateman tenta estrangular um parceiro no banheiro, cena cujo desfecho é um dos momentos mais engraçados do filme. O problema é que o final não apresenta sua mensagem como deveria, a história não fica clara o suficiente. Não tenho problemas com finais em aberto ou ambíguos, mas Psicopata Americano não se fecha como deveria (e não posso dizer mais sobre isso para não fazer spoiler).

Tornando-se ainda mais divertido agora que a diretora revelou que Bale se inspirou em Tom Cruise para criar o personagem (uma opção que se revelou extremamente sábia), Psicopata Americano é um bom filme com uma história magnífica; ou seja, uma boa história mal contada, o que não deixa de ser uma boa história.


NOTA: 8,5

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