O Paraíso é Logo Aqui



O Paraíso é Logo Aqui (péssima tradução para Henry Poole is Here...) é uma comédia dramática eficiente que toca num assunto delicado: a fé religiosa. O filme conta a história de Henry Poole que compra uma casa num subúrbio de Los Angeles que tem uma mancha numa das paredes, que logo começa a ser visto pela vizinhança como um sinal divino (o rosto de Cristo). Henry, que só quer sossego, não entende o que seus vizinhos enxergam naquela mancha e faz de tudo para acabar com as visitas religiosas que logo começam em seu quintal.

Luke Wilson está numa atuação tão fantástica como Henry Poole que o filme nem precisava utilizar de flashbacks para nos contar o que há em seu passado: está tudo nos olhos tristes do ator, que mais uma vez se revela um dos mais subestimados de sua geração. E se o roteiro começa de maneira sensacional, é uma pena que logo depois ele se revele muito mais esquemático do que parecia. E se mesmo assim o filme sobrevive, é pela atuação de Wilson e de Radha Mitchell, que também está excelente.

Dirigido por Mark Pellington, dos também ótimos O Suspeito da Rua Arlington e A Última Profecia, O Paraíso é Logo Aqui conta com um visual rico em cores e uma belíssima fotografia, e a montagem também se revela inspirada, com transições elegantes e dinâmicas. E se Pellington erra no uso flashbacks, em um deles ele acerta em cheio (no momento em que Henry se encontra embaixo dos trilhos de um trem), que é curto e elegante, e conta muito mais da triste história do personagem do que o resto do filme.

O Paraíso é Logo Aqui se destaca do resto dos filmes sobre redenção pela maneira direta e respeitosa em como lida com a fé. Se por um lado, o monólogo de Henry para a vizinha Esperanza sobre o porque ela precisa que ele acredite na face de Cristo na mancha em sua parede é ácido e cutuca bonito numa ferida escondida nos religiosos, o final do filme é curioso e se revela um grande acerto ao encerrar de forma intrigante sobre o que poderia de fato ter acontecido, e garanto que o filme vai agradar ateus, católicos, budistas e qualquer outro religioso pela forma inteligente que a obra termina.

NOTA: 8,5

4 comentários:

Fernando G. Gonçalves disse...

Isso é o que eu chamo de informação relevante na internet. Parabéns pelo blog!

Tiago Lipka disse...

Caramba! Obrigado pelo elogio e continue nos visitando. =)

Abraço o/

mario jorge disse...

o filme é um drama interessante porém não gostei muito porque ele pareceu se vender para mim como uma comedia (e d comedia n vi quase nada) e pq sou ateu e ele "puxou sardinha" para a questão da redenção pela fé mesmo tendo grandes momentos incriveis como o monólogo de Henry .
o final do filme é previsivel .

Tiago Lipka disse...

Entendo seu lado Mario, mas no meu entendimento, o final do filme foi muito mais focado nas relações humanas do que qualquer outra coisa.

Abraço!

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