O Invisível



Ser adolescente nos Estados Unidos deve ser uma das coisas mais frustrantes do universo, ou pelo menos é isso que eles passam em seus filmes: vide desde o magnífico Elefante até este comercial O Invisível, que no melhor elogio que posso fazer é uma metáfora (óbvia, mas competente) sobre o sentimento de vazio existencial que a puberdade traz consigo. Pena que o diretor David S. Goyer, dono de uma das carreiras mais irregulares da história do cinema (alternando roteiros como Blade Trinity e O Cavaleiro das Trevas), se interesse mais no aspecto de suspense, criando umas cenas inexplicáveis do que na bela (mesmo que forçadinha) mensagem.

Justin Chatwin é um ator carismático, mas com uma péssima tendência de parecer chato e arrogante na tela (lembram dele como o filho idiota do Tom Cruise em Guerra dos Mundos?), e para falar a verdade até mesmo a talentosa Marcia Gay Harden acaba se perdendo em cena. O roteiro é tão irregular, confuso e repleto de furos de lógica que esperar boas atuações seria um exagero, por exemplo: a própria invisibilidade do personagem é mal desenvolvida. Notem como em uma cena de perseguição ele fica preso a uma grade, para logo depois "atravessar" uma parede; e se o filme aproveita bem a situação bizarra para criar cenas de humor negro (como a divertida cena da espingarda), acaba exagerando demais nesse sentido, já que repete esse tipo de situações várias vezes.

Mas talvez o que mais incomode no filme seja o fato de que, no final das contas, os personagens mais sensatos sejam vistos como vilões ou nada amigáveis como a mãe do protagonista ou o pai da garota delinquente (que é tão delinquente, que aceitar sua redençãoexige um certo esforço), por exemplo.

Por outro lado, de alguma forma, O Invisível não chega a ser tão ruim, talvez pela premissa, que não é inusitada, mas é no mínimo curiosa, ou talvez pela coragem que acaba exibindo em alguns momentos (como o suicídio de um personagem importante, que se revela uma das cenas mais inspiradas). É um desses casos de "escrever certo por linhas tortas", embora o que está certo aqui não seja totalmente satisfatório.

NOTA: 5

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