O Hospedeiro



Surpreendente em todos os sentidos, esse O Hospedeiro é um filme memorável que me lembrou a sensação que experimentei ao assistir o já clássico Todo Mundo Quase Morto: eu estava diante de uma sátira tão boa, que conseguia funcionar bem também como filme de gênero, mas a comparação acaba aí. Se o filme com Simon Pegg usava zumbis para mostrar a apatia dos londrinos, o diretor Joon-ho Bong faz um filme de monstros gigantes que não apenas faz uma combinação perfeita entre comédia, drama e suspense, como também faz comentários ácidos sobre a política internacional dos Estados Unidos.

E a mais grata surpresa que experimentei, foi conhecer a família Park, formada por um pai dedicado, a filha atleta bem-sucedida, outro alcoólatra e o impressionantemente estúpido Park Gang-du, que também tem uma filha e que aos poucos se torna um dos protagonistas mais trágicos que já pude conferir: ao perder a filha por um descuido na fuga do monstro gigante, Gang-du é um pai que tenta ao máximo ser dedicado e compreensivo, tanto que consegue acordar de um sono profundo só de ouvir o nome da filha. Infelizmente, ela é capturada pelo monstro e depois de a cidade ser evacuada graças a um vírus que o monstro transmite junto com ele, a história se transforma num drama consistente sobre a procura da família pela garota.

O Hospedeiro é tão bem-sucedido como comédia que é provavelmente por isso que será lembrado, e a cena onde o próprio luto da família (ao ver a garota ser declarada como morta) se torna um momento tão exageradamente ridículo que é impossível controlar as gargalhadas deixa claro isso. Porém, o filme se destaca na surpreendente opinião política que demonstra através de piadas ora sutis, ora nada sutis (como o Agente Amarelo, clara referência ao Agente Laranja utilizado pelos Estados Unidos na Guerra do Vietnã. por exemplo). E se revisto, essa intenção fica ainda mais clara: já na cena inicial, o americano ordena que o coreano jogue pela pia fortes produtos químicos (no que pode ser a origem do monstro), e ficamos sabendo do tal vírus através de sua relação em um americano (e a revelação sobre o vírus é a melhor sacada do roteiro).

Agora sobre o filme como exemplar do gênero, ele não fica devendo nada a Cloverfield, por exemplo: se o primeiro ataque da criatura é mostrada de forma ameaçadora e cômica, aos poucos, a presença da criatura vai ficando mais e mais assustadora, ganhando ares de verdadeiro terror quando acompanhamos o seu "ninho". E o design do monstro deve ser elogiado por apostar mais na feiúra do bicho do que no seu tamanho.

O Hospedeiro ainda vai ser lembrado como um dos grandes filmes da década, afinal não é sempre que um filme coreano sobre um monstro gigante consegue atacar Hollywood e o resto do país em volta dela de um jeito tão brilhante como o fez.


NOTA: 10

1 comentários:

Mari disse...

Puta filme massa. Nota 10!

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