Minha Vida sem Mim



Minha Vida sem Mim é um filme que transpira melancolia, lidando com um tema semelhante ao filme Sinédoque, Nova York mas de maneira completamente oposta: a consciência e inevitabilidade da morte. A diferença aqui é que Ann tem apenas 23 anos e tem apenas 2 ou 3 meses de vida devido a um câncer nos ovários. Logo após receber a notícia do médico, enquanto ela caminha ela pensa que nunca fumou na vida dela, nunca tomou drogas mas "agora sentia vontade de tomar todas as drogas do mundo. Mas nem todas as drogas do mundo vão apagar a sensação de que eu estava sonhando e só agora havia acordado."

Ann então escreve uma lista de coisas para fazer antes de morrer, algo que inclui desde coisas bonitas e altruístas como gravar mensagens para as filhas para os aniversários delas até encontrar uma mulher nova para o marido, quanto egoístas, como fazer um homem se apaixonar por ela e fazer sexo com outro homem (já que ela está com o mesmo desde os 17 anos, quando ficou grávida).

O que o roteiro de Isabel Coixet (que também dirige o filme) tem de melhor é o fato de não julgar de maneira alguma a protagonista, se limitando a acompanhar sua triste jornada: depois de saber que irá morrer em breve, Ann decide não contar para ninguém a notícia, considerando isso um presente para seus conhecidos de que as últimas memórias dela sejam de hospitais e remédios. Do nosso lado, como espectadores, acabamos sendo colocados num lugar além do julgamento fácil, já que todas as ações da garota, por mais erradas que as vezes pareçam, tem um propósito claro e bonito. E ao ouvirmos os pensamentos tristes da protagonista, também vemos que de certa forma, o que Ann está encontrando é a paz consigo mesma.

Encarnando a protagonista com o talento habitual, Sarah Polley faz uma interpretação tão boa e sútil que nem parece que ela está se esforçando, e sua química com Mark Ruffalo é tão sensacional que é impossível julgar o bizarro casal. Enquanto isso, atores antes não tão marcantes como Scott Speedman e Deborah Harry fazem um ótimo trabalho, enquanto o sempre confiável Alfred Molina consegue em apenas uma cena passar a sensação de um oceano de arrependimentos.

Infelizmente, é uma pena que a diretora recorra a algumas alegorias bestas para complementar a jornada da personagem, como na cena do super-mercado, uma cena musical que surge nada orgânica e intrusiva no meio da história. Além disso, a construção que o filme faz do personagem de Ruffalo é tão forçada que inclui dicas nada sutis de um amor idealizado, como a casa vazia (o desapego ao materialismo) que inclui apenas livros. E a personagem da cabelereira que insiste em fazer tranças podia muito bem ter ficado na sala de edição. Mas são pequenos poréns que comprometem o filme como um todo, mas não chegam a estragar a bela jornada da personagem.

NOTA: 8,5

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