Katyn



Katyn não é um filme fácil: até a sua metade, eu mesmo estava achando o filme sem foco, deixando todas as suas histórias mal contadas. A surpresa é como todas as peças do quebra-cabeças vão se encaixando, criando um painel assustador sobre a denúncia apresentada. Contando uma história que várias pessoas consideram "desgastada", o filme do aclamado diretor Andrzej Wajda pode ser tudo, menos uma batida a mais numa tecla.

A história gira em torno do massacre de 12 mil oficiais poloneses na floresta de Katyn. Numa época em que a Polônia se encontrava dividida pelos soviéticos e pelos nazistas, imagens do massacre começam a ser usadas como instrumento político pelos dois invasores para ganharem o povo polonês. O surpreendente é que o massacre foi cometido pelos soviéticos (os alemães se livraram dos intelectuais), e ao fim da ocupação nazista a simples menção de que o crime foi cometido pelos camaradas era motivo de pena de morte.

E o diretor usa com sabedoria diversas histórias que se complementam aos poucos, criando um painel assustador de como a situação política e social da Polônia ficou no final da Segunda Guerra. E destaco também os brilhantes diálogos do filme, em especial o confronto entre duas irmãs, uma que se afiliou ao comunismo e a outra que luta para divulgar o que houve em Katyn:

"(...) - Você vai ficar do lado dos mortos?


 - Não, vou ficar do lado dos assassinados, não dos assassinos.(...)"

Além disso, a fotografia do filme é extraordinária, e a direção de Wajda é brilhante em sua pesada composição de enquadramentos, e também ao utilizar diversos simbolismos interessantes, como a própria cena inicial onde vários poloneses atravessam uma ponte para fugir dos alemães, enquanto vários outros fogem na direção contrária. Uma cena simples e tocante que resume com tristeza o destino daquele país.

NOTA: 10

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