Entre os Muros da Escola



Entre os Muros da Escola não é um filme divertido, aliás, sequer prazeroso de assistir. Com apenas 20 minutos, eu já estava emocionalmente esgotado, imaginando de onde vinha a paciência absurda de seu protagonista. Isso quer dizer que o filme é ruim? Muito pelo contrário, e me sinto na obrigação de dizer que Entre os Muros da Escola merece ser assistido por todos, e devia ser obrigatório sua exibição em escolas, faculdades, etc.

Dirigido por Laurent Cantet a partir do livro de François Bégaudeau, que também protagoniza a história (algo que só me faz admirá-lo ainda mais), o filme mostra um curto período de tempo com um professor lidando com sua turma de adolescentes, tudo a partir do ponto de vista do protagonista. Nos primeiros dez minutos, ao mostrar o esforço do professor ao simplesmente pedir para os alunos escreverem seus nomes num papel, o filme carrega uma tensão que poucos filmes de terror ou suspense conseguem.

Mas o filme não se limita a mostrar o conturbado relacionamento entre professores e alunos: Entre os Muros da Escola é uma análise complexa e detalhada sobre o funcionamento de uma escola, e o filme retrata seus pequenos casos de forma fascinante, como o desabafo explosivo de um professor, ou até mesmo na comemoração da gravidez de uma personagem, que não consegue deixar de fazer um comentário comovente sobre um aluno em seu discurso.

Aliás, melhor ainda: apresentando a complexidade da história sem jamais responder nenhuma de suas questões (algo que seria até grosseiro), o filme jamais apresenta os arquétipos típicos da dramaturgia, e se no início um dos professores parece se tornar um antagonista (ao ir contra as opiniões do protagonista), o roteiro surpreende ao mostrá-lo como um personagem muito mais dedicado e interessante do que o imaginado, e o momento em que ele discute sobre qual é o limite da relação professor/aluno de modo que o primeiro não interfira na educação que os pais proporcionam é um dos vários pontos altos do filme. E é preciso também admirar a coragem de François ao não se poupar de uma severa auto-critíca quando ofende duas alunas e omite isso em seu relatório.

Fascinante, inteligente e construtivo como poucos, Entre os Muros da Escola é uma obra-prima que ainda vai ser discutida por anos a fio, e pelas suas enormes qualidades, merece, conseguindo se destacar num gênero que foi brilhantemente parodiado por Perdendo a Noção.

NOTA: 10

1 comentários:

Tiago Ramos disse...

A sensação é "primeiro estranha-se, depois entranha-se". Mas é realmente um filme muito pedagógico e bem concebido!

Real Time Web Analytics