Distrito 9



Distrito 9 poderia se tornar um clássico moderno da ficção científica (junto com Filhos da Esperança)  caso não tivesse uma linguagem e uma narativa tão indecisas: se de início parece que será um filme alá Cloverfield ou [REC], para logo depois seguir uma linha documental, e finalmente mostrar que não é nenhuma das anteriores. O primeiro ato do filme é sofrível: demora para apresentar até mesmo quem será o protagonista e o modo como apresenta a história é extremamente forçado com ajuda de depoimentos, que no início até são desculpáveis, mas no resto do filme só atrapalham.

Além disso, nas primeiras cenas de ação há um certo excesso de câmeras em mãos de pessoas com Mal de Parkinson: todos os vícios ruins que os filmes de ação adquiriram nos últimos tempos aparecem piorados, e mesmo que eu tenha assistido os filmes que citei acima e mais A Bruxa de Blair no cinema, não fui desses que reclamei de tontura, mas confesso que o primeiro ato de Distrito 9 me deixou com uma dor de cabeça terrível tamanho a descoordenação dos operadores de câmera: uma coisa é câmera na mão; outra bem diferente é amadorismo.

E mesmo assim, gostei de Distrito 9: com uma trama que se revela interessante e muito mais dramática do que parecia no início, o filme dirigido pelo novato e paga-pau de Peter Jackson, Neill Blomkamp faz um excelente trabalho na direção depois do péssimo início, embora suas melhores sacadas pareçam chupadas de algum jogo de video game (há inclusive um plano no melhor estilo jogo em primeira pessoa). Os efeitos visuais são fabulosos, e o design dos alienígenas é fantástico (algo que só vemos depois do início, já que a câmera estava preocupada demais balançando, hum-hum).

Incluindo uma cena de ação fantástica no seu clímax (que é mais emocionante do que qualquer coisa em Transformers, fora Megan Fox) e surgindo como uma curiosa homenagem a A Mosca de David Cronenberg, Distrito 9 é um bom filme que poderia ter sido fantástico caso não fosse tão confuso em sua linguagem e encontrasse maneiras menos óbvias para apresentar sua história. Mesmo assim, merece ser conferido... só não sente tão perto da tela que nem eu...

NOTA: 7,5

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