Crepúsculo



Não acho que sou do tipo de cara que critica tudo que está na moda. Acho que sei identificar a qualidade do filme independentemente de sua origem e de seu público-alvo: se considero a trilogia Piratas do Caribe e a série Harry Potter ótimos, por outro lado considero os dois Transformers grotescos de tão ruim; se admiro Sinédoque, Nova York, também sou obrigado a encarar decepções com grandes cineastas cultuados, como Os Idiotas de Lars Von Trier.

Digo isso para afirmar que o fato de eu ter odiado Crepúsculo não diz respeito ao público que o jogou no topo das bilheterias, mas sim por realmente ter sentido quase asco do péssimo roteiro, de ter visto um dos piores desempenhos gerais de um elenco nos últimos anos, e digo isso lamentando o fato de haver ótimos atores ali no meio, como a bela Kristen Stewart. E se comentei em Star Trek que prefiro não comentar sobre méritos ou desméritos de efeitos especiais, aqui devo afirmar que o longa traz alguns dos piores trabalhos de efeitos especiais que já pude conferir: as corridas e cenas em que o longa deve mostrar a velocidade dos vampiros são risíveis.

Dirigido pela fraquinha Catherine Hardwicke (que já fez o fraquinho Aos Treze) sem qualquer inspiração ou personalidade, o filme é arrastado e nos obriga a não apenas testemunhar alguns dos diálogos românticos mais estapafúrdios da história, ainda não consegue ser nem um pouco sutil na maneira em que exibe uma simples troca de olhares entre os personagens. Além disso, a marcação de cena em que dois grupos de vampiros se confrontam é uma cena que beira o ridículo, assim penso que não deve ser a toa que a diretora foi trocada pelos competentes David Slade e Chris Weitz para dirigirem os próximos filmes da franquia. A atuação de Robert Pattison é realmente sofrível, mas ficar pegando no pé dele enquanto Cam Gigandet faz uma atuação digna de Framboesa de Ouro como James.

Mas o aspecto que mais me incomodou no filme foi a forma como alguns temas são trabalhados: se as referências sexuais são quase explicítas (a do vampiro morder o pescoço sendo na verdade ele comendo a ... vocês entenderam...) e já viraram piada. Já quando o filme fala sobre família, a cois afica meio estranha. O conflito da personagem Bella com os pais não parece ser nada natural e, pior, parece ser adequada as necessidades da história de forma descarada: e a impressão que a história passa é que Bella é uma tremenda egoísta babaca que só pensa nos pais quando o bicho pega (literalmente). O resultado final é uma franquia que eu realmente não pretendo seguir.

NOTA: 2

3 comentários:

Lomyne disse...

Pra mim gostar ou não de um filme tem a ver com uma boa história e uma qualidade mínima. Se a história for muito boa, a técnica pode ser medíocre que eu nem me importo.

Eu não sei em que categoria você enquadra Crepúsculo, mas pra mim é um filme de mulherzinha. E como filme de mulherzinha, devo dizer que é encantador. Caí de amores por aquele vampiro, não é nenhum Lestat, mas quebra um galho. Tecnicamente pode ter um milhão de defeitos, mas eu achei muito bonitinho.

Tiago Lipka disse...

Não acredito nesses rótulos do tipo 'filme de mulherzinha' ou 'deslige o cérebro e se divirta', não tolero isso e não aceito isso (muito menos no meu blog).

Já assisti muitos filmes classificados assim (sou fã de O Diabo Veste Prada, olha só!), mas mesmo assim, um filme feito para um público específico deve instigar o público demonstrar um mínimo de inteligência (porque meu cérebro não tem botão de liga/desliga) ou pelo menos, ser interessante. E o máximo que Crepúsculo fez por mim foi tocar 15 Step do Radiohead no final. =P

Mas entendo seu lado e agradeço o comentário. =)

o/

Mari disse...

Acho que até eu teria feito uma adaptação melhor. O livro é mto mal escrito, e conseguiram deixar o filme pior. Repetiram os mesmos dialogos horriveis que tinham no livro. Deixaram varias cenas sem sentido só para ser fiel ao livro, que burrice. Acho que se o tal do Edward não fosse tão bonitinho não haveria porque assistir o filme! =P Nota 3!

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