Choke - No Sufoco



Adaptado por Clark Gregg (mais conhecido pela sua participação na série chatinha da Old Christine) a partir do livro do genial Chuch Palahniuk (autor de Clube da Luta), Choke - No Sufoco pode não ser tão instigante quanto a adaptação dirigida por David Fincher, mas se revela igualmente extraordinária de sua própria maneira. Os fãs de Tyler Durden certamente podem ficar decepcionados com o filme, já que Choke apesar de ser igualmente subversivo e tão errado da cabeça quanto O Segurança Fora de Controle, no final das contas é uma história de amor tão bonita quanto inusitada.

O protagonista Victor Mancini é um trapaceiro, viciado em sexo e, como se proclama, "uma parte da espinha dorsal da América". Enquanto seu melhor amigo, que se masturba em qualquer momento inapropriado, inicia um romance com uma stripper, Victor tem que se preocupar com sua mãe que está enfrentando uma demência cada vez pior, principalmente depois que ela revela que Victor não sabe quem é seu pai. Decidido a saber quem é (muito mais pelas dificuldades financeiras, que pelo amor paternal), ele aposta num tratamento nada ortodoxo oferecido por uma das médicas do hospital.

E revelar mais da trama seria um pecado, já que a cada revelação, o filme fica mais e mais rico, e mesmo que Clark Gregg se revele um diretor bastante inexperiente, a história é sensacional e os atores estão em estado de graça: encarnando Victor Mancini com a competência habitual, Sam Rockwell está sensacional, engraçadíssimo e profuncamente dramático conforme a trama avança. E se Anjelica Huston cria uma das figuras maternas mais bizarras do cinema, Kelly Macdonald se destaca ao atuar com um esperto misto de inteligência e doçura (algo mais do que apropriado a personagem).

Choke - No Sufoco, assim como Clube da Luta, não vai agradar a todos, mas é um filme tão inusitado e divertido que é difícil não acreditar que testemunhamos uma obra impressionante: afinal, quantos filmes conseguem debater a natureza humana citando desde a Bíblia até fantasias pervetidas, como fetiches de estupro? Pois é...


NOTA: 10

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