Café da Manhã em Plutão



Se há um diretor extremamente subestimado nos dias de hoje, esse diretor é Neil Jordan. Diretor de várias obras-primas como Fim de Caso, Traídos pelo Desejo e o esquecido Nó na Garganta, e vários outros bem-sucedidos como Entrevista com o Vampiro, Jordan é o tipo de cineasta que anda em falta. Capaz de criar sequências mágicas e com uma forte marca visual, tem uma carreira consistente e, infelizmente, quase desprezada. E Café da Manhã em Plutão é mais um filme que serve para lembrar do  talento desse grande diretor.

Escrito pelo mesmo autor de Nó na Garganta, Patrick McCabe em parceria com o diretor, conta a história de Patrick, um garoto que abandonado pela mãe, e pelo pai (que é um padre) acaba sendo criado por uma família que não entende a opção sexual do garoto, que desde a infância sonha em ser uma mulher, baseada na imagem de sua mãe que nunca viu e era parecida com uma grande atriz. Patrick decide então ir para Londres procurar sua mãe, sem qualquer dinheiro ou condição. Só que essa história se passa na Irlanda nos tempos dos conflitos do país com os ingleses, e de forma indireta, Patrick acaba passando por isso sem entender o contexto em que se encontra.

Interpretado com genialidade ímpar pelo ótimo Cillian Murphy, Patrick (ou Patricia) sofre uma curiosa transformação durante o filme: se de início seu visual é andrógino, aos poucos, com sutileza o ator consegue criar uma mulher em todos os seus trejeitos. Liam Neeson e Brendan Gleeson também brilham em suas participações, assim como o habitual parceiro do diretor Stephen Rea, que tem o desfecho mais decepcionante da história.

Narrado de maneira propositalmente episódica, Café da Manhã em Plutão é um pouco mais longo do que deveria, e nem sempre fecha o arco dramático dos personagens secundários de maneira satisfatória, mas esse erro é compensado pela criaticidade do diretor, que não apenas joga elementos de contos de fada em meio a história (os passarinhos conversando), como também cria sequências marcantes, como de habitual, do qual destaco a explosão em meio a uma danceteria e a cena de interrogatório, a mais engraçada já vista no estilo 'Good cop, bad cop'.

Café da Manhã em Plutão é um filme extraordinário que serve muito bem para salientar o talento de seus envolvidos. Contando uma verdadeira fábula contemporânea (engole isso Quem Quer ser um Milionário?!!!!), tem um desfecho belíssimo e significativo, provando que é um filme que nasceu para se tornar inesquecível, assim como seu inusitado protagonista.

NOTA: 9,5

1 comentários:

Tiago Ramos disse...

Comprei o DVD juntamente com um jornal semanal, mas não tive ainda oportunidade de ver.

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