As Duas Faces da Lei



As Duas Faces da Lei poderia até ser como A Cartada Final: um filme bom (e nada mais) que servisse apenas para homenagear seus protagonistas, que aqui são os lendários Al Pacino e Robert DeNiro. Infelizmente, o roteiro de Russell Gewirtz fica indeciso se quer contar uma história boa, apenas homenagear os atores ("eles são como Lennon e McCartney") ou os dois ao mesmo tempos. O resultado é uma trama interessante mal-contada, com bons diálogos, mas que precisava de uma séria revisão já que a história acaba sendo bem mais previsível do que o imaginado pelos realizadores.

O péssimo Jon Avnet parece uma criança doida para brincar com sua dupla de atores e comete uns absurdos bestas, como a abertura forçada. Além disso, as cenas em que os personagens prestam depoimentos são complementadas pelo diretor com um péssimo uso de tela dupla. Avnet (e o roteiro) só acertam nas cenas mais cômicas (intencionais ou não), já que Pacino e DeNiro parecem estar se divertindo muito juntos.

Pior ainda, o filme desperdiça o talento de seus coadjuvantes como Melissa Leo, Carla Gugino e Joe Leguizamo fazendo de seus personagens caricaturas mal feitas, e nem Marlon Brando conseguiria algo decente com o material porco dado a esses atores. E a atuação de 50 Cent beira o ridículo: não dá pra entender como um cara meio fanho e de dicção bizarra seja tão bem sucedido (não só no filme, diga-se de passagem).

E o pior de tudo é perceber que o roteirista Gewirtz (responsável pelo brilhante O Plano Perfeito de Spike Lee) conseguiu criar uma história interessante, apesar de tudo. O problema é que parece que filmaram algum rascunho do roteiro, já que quase todas as histórias no filme são ou mal-desenvolvidas ou mal exploradas. E nem adianta vir com a desculpa de que o filme pelo menos serve para ver Pacino e DeNiro juntos: se for pra isso, assista Fogo Contra Fogo de Michael Mann, onde os dois fazem um trabalho brilhante em apenas duas cenas juntos.

NOTA: 4

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