Alma Perdida



Enquanto eu assistia Alma Perdida, um pensamento não saia da minha cabeça: Se Michael Bay dirigisse um filme de terror, seria exatamente assim. E não deu outra, já que nos créditos o nome de Bay aparece como produtor. Alma Perdida é um filme tão ruim, que chega a ser bacana: os espíritos são tão exagerados, que a caracterização chega a ser divertida; o exorcismo é tão "grandioso" (no sentido escandaloso da palavra) que é impossível conter as risadas.

Assim como em seu filme anterior, O Invisível, David S. Goyer mostra pontualmente seu talento, como no sonho em que a protagonista está no teto (que tem um movimento de câmera esplêndido), mas são os erros que se destacam. Quando a protagonista descobre que não deve manter espelhos em casa, Goyer faz ela quebrar todos para efeitos dramáticos, quando faria muito mais sentido simplesmente tirá-los de casa (doh'). E Odette Yussman, revelação de Cloverfield, tenta ao máximo criar uma personagem coerente, mas quando até Gary Oldman parece perdido é porque tem algo de muito errado.

 Mas o mais triste é que o filme apresenta algumas características originais, e que me fizeram gostar dele: a burocracia envolvida antes do exorcismo por exemplo é intrigante e a origem do tal espírito que acaba remetendo as experiências conduzidas por Mengele na época do nazismo é uma ótima sacada, mas isso está no meio de uma trama clichê e as vezes irritante.

Alma Perdida se destaca dos demais filmes de terror produzidos nos Estados Unidos por apostar no misticismo judaíco, algo que confesso nunca ter visto antes, e se metade do que o filme apresentou for real, é uma pena que um tema fascinante tenha sido jogado de qualquer jeito aqui. Contando com um final moralmente MUITO discutível e a cena de exorcismo mais... engraçada já feita, o filme não é um completo desperdício, mas quem espera um bom filme de terror vai se decepcionar.

NOTA: 4

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