Stalker



Stalker é o terceiro filme que assisto do gênio Andrei Tarkovsky. Se já chamo o cineasta de gênio sendo que assisti apenas a O Espelho e Solaris, não chamo a toa: seus filmes são impressionantes, de uma capacidade incrível de se comunicar com o público, algo quase hipnotizante. Stalker foi um de seus últimos filmes, e é o melhor filme do cineasta que já vi.

E me encontro nessa situação: o que dizer diante de uma obra-prima dessa magnitude? Sério, eu nunca escrevi sobre os meus filmes favoritos (Taxi Driver, Apocalypse Now e Fellini 8 e Meio), e se já estou colocando Stalker no mesmo nível deles, acho que vocês podem ter uma noção do quanto amei esta obra.

Mas enfim, tentarei: Depois que um meteorito caiu numa parte do nosso planeta, estranhos acontecimentos começam a ocorrer no local da queda. O governo então decide cercar o local com policiais, para que ninguém entre lá. Os únicos capazes de entrar são os Stalkers, que frequentemente levam visitantes para dentro da "Zona" (como eles chamam). Lá aparentemente há um Quarto onde qualquer desejo mais íntimo será realizado. Acompanhamos a visita de um escritor e um cientista junto com um Stalker para dentro da "Zona".

Utilizando o primeiro ato de maneira brilhante, Tarkovsky brinca com a realidade de seu filme desde o primeiro (e genial) movimento de câmera (no qual ela se adentra a uma fresta da porta), e até mesmo com o uso de cores (mesmo o "P&B" do filme, lembra mais sépia). Retratando seus personagens de início como alegorias, aos poucos eles se desenvolvem de maneira trágica e melancólica, algo que culmina num dos clímax mais tristes de uma ficção científica.

Mas o melhor exemplo do talento de Tarkovsky seja como ele retrata a "Zona": se inicialmente nos decepcionamos (junto com os personagens) com o aspecto do local, aos poucos o cineasta através de uma edição de som brilhante e uma direção de arte sutil, transforma toda a geografia do local num lugar assustador e sufocante, algo no mínimo inusitado, considerando que o filme conta em sua grande maioria com longos planos abertos. E quando começamos a acompanhar a jornada dos personagens perto do "Quarto", a cena do túnel no qual um personagem anda na frente dos outros tem um dos movimentos de câmera mais belos que eu já vi (e a pequena brincadeira na montagem dessa cena, quando um dos personagens tropeça é prova de o quanto a obra nos envolveu naquele ponto).

Concluindo, Stalker é um filme exemplar, de uma complexidade ímpar e que, literalmente, nos surpreende até o último minuto. Sua temática é complexa e extensa demais para discutir num blog simples como esse, mas é de deixar qualquer um que o assista quase louco para discutir sobre a obra. Stalker é uma obra-prima da ficção científica. Blade Runner can kiss my ass.

NOTA: 10

3 comentários:

fidellia disse...

Eu to 'pegando na locadora' todos esses filmes com nota boa :P
E não to me arrependendo auehuaheaeuahe
Esse aqui já ta na lista ;)

[]'s

Tiago Lipka disse...

Po, que baita elogio =)

Valeu, só não tente me espancar caso se decepcione com algum. =)

o/

fidellita disse...

Pode deixar :P

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