Nosferatu - O Vampiro da Noite



 Uma homenagem curiosa do grande Werner Herzog para um dos maiores clássicos do Expressionismo Alemão. Infelizmente, ao contrario do anterior, Nosferatu - O Vampiro da Noite não envelheceu tão bem, principalmente pelo tom teatral e farsesco que adota em algumas partes importantes do filme. Porém, não dá para dizer que a atualização da história pelo diretor seja mal-sucedida: Herzog faz algumas pequenas modificações na clássica história do Conde Drácula que são únicos nesse gênero.

A começar pelo tom de ameaça do filme: investindo numa trilha sonora de clima pesado e sufocante, o diretor usa de artifícios naturais para envolver o espectador no terror da situação: o contraste da calma dos canais, com a fúria do riacho, as nuvens negras no céu. Além disso, o próprio Conde Drácula se torna um personagem mais fascinante: a interpretação magnífica de Klaus Kinski transforma o vampiro num personagem dúbio e esquisito, parece muito mais um enfermo, do que uma ameaça. Além disso, o ator faz um curioso trabalho com a respiração para demonstrar seu nervosismo.

O filme acerta ao colocar a ameaça do vampiro como espécie de metáfora a peste negra que atingiu a Europa, e as cenas com milhares de ratos saindo do navio e se espalhando pela cidade são impressionantes, mas não é só isso: a chegada do navio a cidade e as aparições do menino com violino são mais duas amostras do poder que Werner Herzog tem de hipnotizar sua platéia. E mesmo que o resultado final não funcione tão bem, ainda é uma aula de cinema como poucas.

NOTA: 8

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