Fargo




Só gosta de Fargo quem gosta de humor negro, e isso é fato. A graça do filme não está em piadas fáceis ou gags visuais comuns: está no sotaque (ya), nos diálogos construídos quase musicalmente e nos absurdos da narrativa. É um filme raro, incomum, difícil até de recomendar. Mas é também o grande trabalho dos irmãos Coen. Tem o visual e o aspecto de um faroeste no meio do gelo (repare na trilha sonora na abertura), e se torna um estudo de personagens divertidíssimo em meio a uma trama complexa que termina de maneira absurdamente simples.

Grande parte do que o filme tem de melhor está na personagem Marge, interpretada com estilo pela talentosíssima Frances McDormand. A policial grávida e inteligente tem uma doçura que transforma sua presença em tela num constante incômodo: não há como não temer pelo seu envolvimento numa trama tão violenta, que inclusive, contém um dos homícidios mais bizarros da história (quem viu, já sabe).

Mas o resto do elenco também dá um show particular: dos losers vividos com extremo talento por Willian H. Macy e Steve Buscemi, ao ameaçador personagem de Peter Stormare, todos encontram uma sintonia única, transformando Fargo também num filme brilhante no quesito direção de atores.

Os irmãos Coen assinam seu filme com a criatividade já conhecida e uma frieza constante: são raros os momentos em que os diretores parecem enxergar com alguma bondade os seus personagens (com excessão de Marge). Além disso, os enquadramentos bem compostos são outro grande destaque da obra, que também tem um dos plano/contra-plano mais divertidos do cinema (quando Marge interroga duas garotas e seu olhar fica perdido entre elas).

Mesmo assim, volto a avisar: não é um filme para todos, e nem por questão de elitismo. Entendo perfeitamente quem não gosta de Fargo, mas me sinto no dever de mostrar o quanto gosto do filme.

NOTA: 10

1 comentários:

O Cara da Locadora disse...

Filme genial, decepcionante como muita gente que eu respeito não gosta, rs...

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