Confissões de uma Mente Perigosa




Junto com Não Estou Lá, é uma das cine-biografias mais interessantes e criativas dos últimos anos. Baseado na autobiografia não-autorizada de Chuck Barris (!), conta a história do criador do Gong Show, Namoro na TV e afins com uma curiosidade: no livro ele alegou que enquanto trabalhava na TV, também era um agente secreto da CIA.

O excelente roteiro de Charlie Kaufman brinca o tempo todo com a questão da realidade/ficção durante a obra, e George Clooney, surpreendendo a todos em sua estréia na direção, demonstra inteligência e humor ao retratar a história de Barris, incluindo alguns depoimentos que se encaixam perfeitamente na curiosa lógica do filme.

Encarnando Chuck Barris com verdadeiro amor ao personagem, Sam Rockwell dá uma aula de atuação, e mostra que mesmo com seu currículo pequeno (na época) já conseguia dar conta de levar um filme nas costas. Drew Barrymore e o próprio Clooney também surpreendem, enquanto Julia Roberts entra como o claro ponto fraco do elenco, que ainda conta com uma participação inspiradíssima de Rutger Hauer.

Confissões de uma Mente Perigosa conta com uma parcela de erros pontuais, como um excesso visual frequente, ou algumas cenas que não conseguem manter o ritmo pontual da narrativa (erros devidamente corrigidos no genial Boa Noite, Boa Sorte), mas George Clooney acerta e bem na cadeira de diretor, e só a cena em que Barris tem um surto de paranóia no meio do Gong Show e a idéia de programa para TV que Barris revela no final já valem o filme.

NOTA: 9

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