Paranoid Park


 
É o melhor filme da fase mais experimental de Gus Van Sant, que inclui os ótimos Elefante e Últimos Dias. Ao contrário destas duas obras, Paranoid Park alcança uma daquelas raras perfeições em que a estrutura da obra encontra ressonância profunda com o pensamento de seu personagem, um jovem alienado, que só pensa em skates e encontra em contato com o "mundo real" através de uma tragédia.

A estrutura não-linear do filme é justificada através de uma carta sendo escrita pelo protagonista (e narrada através de off), e numa das partes ele diz "Não sei exatamente como contar, mas fará algum sentido no final". É isso que faz Paranoid Park. Através de cenas aparentemente desconexas o filme faz um mosaico interessante de como aqueles poucos se misturam ao todo, criando um painel brilhante.

Gus Van Sant faz um trabalho exemplar na direção, tanto que é provavelmente seu melhor trabalho como diretor, e as cenas no tal Paranoid Park ou a cena no chuveiro mostram seu poder sobre a obra; o uso de slow motion em diversas cenas e a maneira como as figuras paternas do protagonista são mostrados (sempre a distância, ou fora de foco e até mesmo do enquadramento).

Paranoid Park não é um filme fácil de gostar, tanto que nem mesmo eu gostei tanto da primeira vez em que vi no cinema, mas revisto e vendo como todas as peças se encaixam com rara perfeição no final, é impossível negar sua força.

NOTA: 10

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