Milk - A Voz da Igualdade



 
A fase experimental da carreira de Gus Van Sant fez muito bem ao cineasta. Milk é um filme visualmente ousadíssimo, muito bem montado, conseguindo a proeza de misturar imagens de várias bitolas de diferentes épocas de maneira orgânica a história. Seu único defeito é o roteiro, que tenta se sustentar com uma narração em off desnecessária, e pelo seu final ter um impacto muito menos emocionante do que imaginamos.

Conta a história de Harvey Milk, primeiro homossexual assumido a assumir um cargo público nos Estados Unidos, como supervisor em San Francisco. Sean Penn encarna Milk com trejeitos perfeitos (alguns podem dizer exagerados), e transforma o personagem numa pessoa complexa, que mesmo nas piadas inocentes, tem óbvia seriedade e firmeza. James Franco e Diego Luna acompanham bem Sean Penn como seus amantes, mas é curioso que Van Sant (que também é homossexual) filme todas as cenas de sexo do filme em cenas sombrias. Josh Brolin também demonstra o quanto está melhorando cada vez mais como ator, e deixa uma marca profunda no filme (provavelmente como o personagem mais complexo da obra).

Infelizmente, quando chega ao ato final, o filme se mostra um pouco mais frio e calculado do que deveria, e nem mesmo a morte de um personagem ao final emociona, graças tanto a estrutura do roteiro quanto como a cena foi montada. Mesmo contando uma história realmente interessante e extremamente importante, é uma pena que Milk no final das contas marque o espectador mais pelo engajamento do que pelo coração.


NOTA: 8,5

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