Dúvida




É um filme para admirar as atuações mais do que qualquer outra coisa. Não me entendam mal, a fotografia do sempre competente Roger Deakins é linda, a cenografia maravilhosa, a montagem é inteligente, mas os méritos de Dúvida estão em Phillip Seymour Hoffman, Amy Adams, Meryl Streep (sempre) e Viola Davis. Dúvida é um filme corajoso sobre um tema sempre controverso, as recorrentes notícias de padres abusando de crianças. Mas como o próprio título anuncia, são as desconfianças e intrigas geradas pela dúvida se o fato ocorreu ou não que importam na história.

Porém, o filme vai ainda mais longe, demonstrando como, de certo modo, a Igreja Católica pela sua hierarquia e tradições acaba, mesmo sem querer, protegendo os padres que tenham relação com a pedofilia, e são nesses momentos em que o filme cresce. O simples contraste entre o jantar das freiras e dos padres mostra isso perfeitamente. Ou mesmo na primeira vez em que as freiras tentam interrogar o padre, no qual sempre deve haver uma terceira pessoa para presenciar a conversa. E também, o fato de que todos os homens serem protegidos pela hierarquia da Igreja; mesmo a mulher com a melhor posição nessa hierarquia está sempre abaixo de qualquer homem presente nela.

Escrito e dirigido por John Patrick Shanley, o filme é perfeito na condução da narrativa e, principalmente na direção de atores. Só erra quando o diretor se intromete demais no filme, com seus enquadramentos "tortos" que surgem sem qualquer motivo. Mesmo assim, Dúvida é brilhante e ousado o suficiente para sobreviver aos seus (poucos) defeitos.


NOTA: 9,5

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