Cabo do Medo





Cabo do Medo foi uma exigência da Universal para financiar A Última Tentação de Cristo: um filme comercial. É claro que isso não diminui a obra de Martin Scorsese que já fez louváveis filmes mais comerciais, como o próprio Os Infiltrados, mas serve de aviso para quem ainda não assistiu. O filme é mais técnica do que narrativa. Sem os toques de mestre de Scorsese, provavelmente não seria um filme tão bom, pois o roteiro, mesmo competente, desenvolve pouco seus personagens.

Robert DeNiro encarnando o psicopata está realmente assustador, tanto que até sua risada durante uma sessão de cinema soa diabólica. É uma pena que o roteiro, e consequentemente Scorsese, terem achado que o personagem tinha que sobreviver a fogo, água, tiros, facadas e caralho a quatro para funcionar. DeNiro faz tudo perfeitamente, só a equipe que não viu.

O filme é corajoso, e mesmo falho, faz uma interessante análise do conflito de gerações presente no início dos anos 90, quando os hippies loucos viraram pais dedicados, que "sabiam o que era melhor" para seus filhos. A melhor cena de Cabo do Medo é quando DeNiro seduz a filha adolescente do casal. É um diálogo simples, nunca vai longe demais, mas as performances são tão fortes e bem dirigidas, que a obra cresce em tensão para nunca mais parar, e mesmo com os exageros do final, tornam o filme uma experiência altamente recomendável.

NOTA: 8,5

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