Veludo Azul



Sem dúvidas, é o grande filme da carreira de David Lynch. Antes de ele começar a brincar com suas narrativas e dar o ar de WTF para cada cena, o diretor ainda trabalhava com estruturas lineares. Em Veludo Azul, Lynch conseguiu contar uma história intrigante, digna de grandes suspenses, com todo o ar de mistério que há em sua obra. Os pequenos toques do diretor são o que fazem toda a diferença nesse filme cínico e romântico.

Versa sobre o lado negro da América, espiado por uma pequena brecha, literalmente pelo personagem de Kyle MacLachlan. O diretor ainda iria tocar mais fundo na ferida mais pra frente em Twin Peaks, mas nesta obra ele alcança uma singular perfeição. Logo de início, a cena do ataque cardíaco do idoso que termina com a visão de monstruosos insetos no gramado é sublime. Frank, o vilão mais curioso da carreira de Lynch é interpretado com uma energia demoníaca por Dennis Hopper. Seu vocabulário rico (que não deixa faltar "Fuck" ou "Shit" em nenhuma frase) e seu inalador de oxigênio fazem dele um personagem brilhante por sua natureza estranhamente complexa.

Veludo Azul é também uma perfeição na sua parte técnica, com uma fotografia, direção de arte e figurinos que Lynch jamais conseguiu superar. É um triunfo em todos os sentidos. Moralmente dúbio, é uma obra que jamais deixará de ser comentada e que merece todo o respeito que só vem crescendo com o passar dos anos.

NOTA: 10

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