Um Homem Bom



Tem seus defeitos, parece se enrolar demais no início e, pior, parece que vai se enrolar em clichês. Por sorte, Um Homem Bom se revela mais ambicioso do que promete, e apesar da clara semelhança na temática com O Leitor, se sustenta bem com suas próprias pernas, por méritos dos atores e da direção precisa de Vicente Amorim (do ótimo Caminho das Nuvens).

O roteiro brinca de maneira interessante com a não-linearidade no início, mas interessante não significa qualidade. Fica a impressão de que o roteirista não achava que a história era forte o suficiente para se sustentar, e criou uma "mula-narrativa". É só depois do segundo ato que a história se sustenta melhor, que apreciamos melhor também a sutileza da atuação de Viggo Mortensen, (que desde Marcas da Violência não tem errado uma) e a divertida (e consequentemente, triste) atuação de Jason Isaacs.

Vicente Amorim mostra força na direção, usando de toques inusitados que dão um tom único ao filme. Inteligente, sabe que a platéia já viu e reviu trocentos filmes de Holocausto e sobre o nazismo, então surpreende onde menos se espera: reparem que os guardas parecem nunca saber quando fazer a saudação nazista, por exemplo, ou nos belos e melancólicos momentos "musicais" da obra. Mas o diretor guarda uma carta na manga surpreendente. A visita de um personagem a um campo de concentração, filmada num sensacional plano-sequência, que certamente entra numa lista de melhores cenas do ano.

Um Homem Bom é um filme com cara de mais-do-mesmo, mas é justamente ao contrário: assim como O Leitor, é uma releitura fascinante de um assunto que parece sempre esgotado nos cinemas. E sua coragem ao narrar os eventos do ponto de vista de um personagem alemão que se envolve diretamente ao nazismo, mesmo sem a maldade que imaginamos, combinada com a sensibilidade notável de Vicente Amorim dão imensa força a obra.

NOTA: 8,5

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