A Troca



A prova de que um cara é mestre na direção, é quando o filme é incrivelmente cheio de defeitos, e ainda assim, mantém o espectador grudado a tela curioso no que vai acontecer. Clint Eastwood é fodão, perdoem meu francês. A Troca sofre de sérios problemas no roteiro (especialmente no último ato), mas é uma experiência cinematrográfica rica e emocionante.

Conta a história de Christine Collins, cujo filho desapareceu e foi reencontrado cinco meses pela polícia de Los Angeles. Reencontrado, mas com um detalhe: o menino não é o filho dela, e a jornada da mãe pela verdade é o que guia a história.

(Não é spoiler, mas se não assistiu, não leia esse parágrafo...) É uma pena que o roteirista J. Michael Straczynki (como observou o crítico Pablo Villaça) parece não saber como terminar o filme. Se enrola todo ao tentar dar um desfecho ao assassino que tem a história paralelamente contada, e não chega a lugar nenhum, acrescentando uns 20 minutos de filme totalmente desnecessários. Além de narrar dois julgamentos simultâneos (o que seria suficiente para um clímax forte), o roteirista ainda vai saltando cada vez mais os anos ao final, sendo que o arco narrativo já estava fechado.

Mesmo assim, a forte direção de Eastwood dá a força ao filme, que ainda conta com a melhor performance de Angelina Jolie até aqui. John Malkovich está bem, mas seu personagem é completamente sabotado pelo roteiro (mas é um alívio toda vez que ele aparece).

Enfim, por mais problemas que A Troca possua, é um filme importante e mesmo sendo o mais fraco que o Tio Clint tenha feito na década, só mostra o quão talentoso ele se mantém.

NOTA: 7,5

2 comentários:

pedro tavares disse...

Esses buracos no roteiro criam a sensação que o filme tem 4 horas. Achei o filme bem morno. Mas é uma história emocionante, realmente!

Tiago Lipka disse...

Realmente... hehehe...

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