A Ponte


Ok, acabei de assistir e ainda estou meio baqueado. Ver um monte de gente se matando não é a coisa mais legal de se assistir. Ainda mais em meio a um documentário confuso, sem foco, que soa como jornalismo barato e maldoso. Durante todo o filme, eu me perguntava o porque da necessidade das filmagens dos suicidas na ponte. O diretor pensou que não acreditaríamos que aquelas pessoas realmente se mataram? Que uma imagem vale mais que mil palavras? Talvez a última afirmação esteja correta, uma imagem, sim, valem mais que mil palavras. E no caso de uma imagem claramente operada manualmente com zoom seguindo pessoas andando ou paradas na beirada pensando, não dá pra pensar na maldade por trás do projeto todo. Explico.

A Ponte é um documentário sobre suicidas que se jogam na Golden Gate, a famosa ponte em San Francisco, nos Estados Unidos. Basicamente, vemos a pessoa pulando, e em seguida entrevistas com conhecidos ou familiares do dito cujo suicida.

Ok, vamos por partes: as entrevistas são realmente muito boas. Destaque para a entrevista com o fotógrafo que acabou salvando uma garota de pular da ponte. Ele afirma que tirava fotos dela quase desejando que ela pulasse, já que estava vendo pelo aspecto plástico, através da lente. Claro que depois de pensar, segundos depois ele alcançou a garota e a salvou. Ok, o que isso diz da nossa querida equipe de filmagem? Colocar esta entrevista é quase uma contradição. Complexidade em seu drama? Talvez...

Continuando nas entrevistas, é lamentável que o filme tenha sido montado de maneira melodramática, já que no ato final somos apresentados a quatro ou cinco personagens que são basicamente retradados como bundões pelo filme. Os detalhes de suas vidas são mal-explicados, talvez pelo tempo, mas o que eles não tinham que Gene tinha (um dos suicidas, esse sim, um verdadeiro bundão)? Gene é usado como fio condutor para a narrativa, amarrando a história. O sentimento nisso, porém, é que todas estas pessoas de vidas dramáticas estão simplesmente sendo usadas de maneira artificial. Afinal, o nome do documentário é A Ponte, certo? A ponte é a personagem.

E aqui vamos a outra coisa: o que a tal da Golden Gate tem? O filme várias vezes mostra seus entrevistados se perguntando a mesma coisa, sobre qual seria o último pensamento que uma pessoa teria lá antes de pular. E o documentarista Eric Steel recheia o filme com tomadas incriveis, bem filmadas da ponte. Tudo isso para... bem, só colocar uma legenda ao final dizendo "muita gente se mata lá". Pqp, hein?

Enfim, A Ponte é um documentário extremamente falho (basicamente pela montagem) mas que tem sua complexidade através de seus "personagens". Se recomendo? Assim como um dos amigos de Gene comenta "Quando fiquei sabendo o que ele tinha feito, tive vontade de ir até lá, falar com o legista, fazer ele acordar e perguntar: Porque você fez isso? Ele magoou muitas pessoas que o amavam com o que fez". Sinto o mesmo. Não tenho qualquer romantismo pelo tema, mas não consigo negar o fascínio.

NOTA: 5

2 comentários:

Anônimo disse...

adorei o seu comentario refente oa assunto eu particularmente ja sofri com pessoas suicida na familia e de fato nao consigo entender o por que ?
Mas particularmente tenho um louco faciniopelo assunto

Lilian disse...

Humilde da sua parte julgar pessoas que nunca viu na vida (suicidas ou não). E nem adianta dizer que não o fez: os repetidos "bundões" dizem tudo. Boa sorte com o seu apurado e refinado senso crítico. Beijos.

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