O Doce Amanhã



O Doce Amanhã é a história de uma tragédia em uma pequena cidade. O ônibus escolar sai da pista e vai parar em meio a um rio congelado. Todas as crianças da cidade morrem, menos a motorista e uma garota que fica paralítica. O filme do genial Atom Egoyan não faz sensacionalismo barato, e não explora a dor dos personagens. Seu interesse é nas consequências do acidente, principalmente através do advogado, interpretado por Ian Holm, que busca através de um processo contra o fabricante do ônibus, uma indenização que seja equivalente a perda dos filhos.

Mas que valor seria esse? O que poderia substituir um filho? Mesmo com boas intenções, o advogado acaba apenas mexendo ainda mais na fragilidade emocional do povo daquela cidade, e as consequências de seus atos são terríveis. Os pais parecem não conseguir mais se olhar nos olhos. Mesmo o casal pacifista que perdeu seu filho adotado começa a ter surtos violentos.

É interessante notar que o diretor (que também escreveu o roteiro) utiliza uma narrativa não linear que pode confundir o espectador no início, mas que se mostra uma escolha extremamente inteligente. Quando pensávamos que o arco narrativo cercava o acidente, é no início do terceiro ato, que Atom Egoyan mostra que o filme era sobre o próprio advogado. Homem frio e habilidoso, e com um estranho e perfeito tom cômico, sua relação com a filha é a tragédia que a história nos apresenta.

O filme lembra obras de David Lynch, segredos numa cidade pequena sendo revelados após alguma situação, mas a obra de Atom Egoyan tem seus méritos próprios. O filme é repleto de amargura e melancolia. "Algo terrível está acontecendo... e está levando nossas crianças". O Doce Amanhã nos alerta, e é algo que nunca é bom esquecer.

NOTA: 10

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