Gran Torino



Clint Eastwood reencontra seus personagens marcantes dos anos 70 e 80 nesse marcante drama. Walt Kowalski é um pouco de Dirty Harry aposentado. Um homem com sangue no passado e desconta isso no mundo inteiro, sem poupar os próprios filhos. Sua redenção se encontra onde ele menos espera, através de dois adolescentes hmong que vão morar ao lado de sua casa. Kowalski lutou na guerra da Coréia nos anos 50 e é um preconceituoso nato. Aos poucos porém, o veterano de guerra se aproxima de maneira afetiva dos adolescentes e quando se dá conta, está mais próximo deles do que de sua própria família.

Gran Torino lembra Marcas da Violência de David Cronenberg. Os dois usam clichês e diálogos expositivos do gênero para falar de coisas mais profundas. Em ambos os filmes, estas coisas são um passado de violência. A diferença é que Eastwood joga menos no psicológico e mais no emocional. O personagem central tem seu lado desprezível, mas o diretor e ator nos mostra que o que Kowalski tem de bom em si, está faltando no mundo. Nos deixa camaradas do personagem.

O filme fala diretamente para as novas gerações que valores como honra, respeito e dignidade andam em falta. Mostra que ser homem não é fazer parte de gangues e assustar a vizinhança. Ser um homem é muito mais do que isso. E é isso que Thao aprende com Walt, que enxerga no jovem oriental todos os valores que ele conserva sendo mantidos. O mestre Clint criou seu melhor filme desde Menina de Ouro e deixa seu recado com força. E como disse Roger Ebert em sua crítica sobre Gran Torino, eu espero envelhecer como Clint Eastwood.

NOTA: 10

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